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Imprensa chinesa critica detenção de diretora financeira da Huawei e acusa EUA de falta de honestidade

David Ramos/Getty Images

Uma “abordagem desprezível e desonesta” para “impedir o avanço da Huawei na 5G”. É assim que a imprensa chinesa vê a detenção de Meng Wanzhou, diretora financeira da empresa de telecomunicações chinesa Huawei, no Canadá, a pedido dos EUA

A imprensa chinesa lançou uma espécie de ataque de palavras aos EUA depois da detenção, no aeroporto de Vancouver, no Canadá, da diretora financeira da empresa de telecomunicações chinesa Huawei, Meng Wanzhou.

A detenção da diretora ocorreu no passado sábado, no mesmo dia em que Donald Trump se sentou à mesa com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, durante a cimeira do G20 na Argentina para discutir uma trégua temporária na disputa comercial entre os dois países.

Fontes da Casa Branca garantiram à Reuters que o Presidente norte-americano não estava a par dos planos de detenção e extradição. A China já veio exigir a libertação de Meng Wanzhou, considerando que a sua prisão representa uma clara violação dos direitos humanos.

Num dos editoriais do jornal estatal “China Daily”, sugere-se que os EUA prenderam Meng Wanzhou com o objetivo de “conter” o crescimento da Huawei. “Não há quaisquer dúvidas de que os EUA estão a fazer tudo o que podem para conter a expansão da empresa, que é das mais competitivas na área da tecnologia”.

O “Global Times”, que também é financiado pelo estado chinês, diz que Washington está a “recorrer a uma abordagem desprezível e desonesta, face à incapacidade de impedir o avanço da Huawei na 5G de qualquer outra forma”. “Esta detenção mostra que os EUA têm mesmo a empresa como alvo”.

As acusações não são aleatórias - de facto, alguns países ocidentais já revelaram ter receio de que Pequim venha a ter acesso à rede móvel de quinta geração e a outras redes de comunicação através da Huawei, reforçando desse modo a sua capacidade de espionagem.

A empresa já informou que cumpriu “todas as leis e regulamentos aplicáveis onde opera, incluindo as leis e regulamentos de controlo de exportação e sanções das Nações Unidas, EUA e União Europeia”. Meng Wanzhou deverá ser ouvida esta sexta-feira, sendo possível que seja solicitada a pagar uma fiança.