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Gordon Brown e o Brexit: “Pensar que o 1% de comércio que mantemos com a Nova Zelândia pode substituir a Europa é totalmente errado”

Nick Ansell - PA Images/Getty

Gordon Brown, ex-primeiro-ministro britânico, não só apoia um segundo referendo ao Brexit como considera que o acordo que a atual primeira-ministra vai levar ao parlamento não será aceite pelos deputados. Olhe ele para que lado olhar, diz, só vê um período enorme de incerteza à frente do seu país. O comércio com outros aliados, no entender do também ex-ministro das Finanças, não é suficiente para compensar a perda do volume de negócios com os parceiros europeus

Gordon Brown, ex-primeiro-ministro britânico e ex-ministro das Finanças, está, no mínimo, descrente em relação ao futuro do acordo que a atual líder do governo, Theresa May, conseguiu com Bruxelas para selar o Brexit. Num discurso em Londres, organizado pela página de notícias “Financial News”, Gordon Brown disse que o parlamento vai travar o plano de May: “O acordo, na sua forma atual, não vai passar. Haverá uma tentativa de renegociação, mas sob a batuta de quem, não sei - talvez sob ela [May] ou com outra pessoa, mas isso é um assunto para o Partido Conservador”.

Os comentários de Brown, conhecido por ser uma espécie de “génio” das finanças e uma das vozes mais respeitadas da oposição trabalhista, chegam numa altura em que Theresa May está a lutar contra um parlamento estilhaçado - divisão que afeta até o seu próprio partido conservador.

Na semana passada, a maioria dos deputados votaram para condenar todo o corpo de ministros de May por “desrespeito ao parlamento” quando estes se recusaram a divulgar a análise legal ao impacto do Brexit, redigida pelo procurador-geral. O que vinha escrito nesse documento que os ministros de May queriam manter secreto era precisamente um aviso sobre um dos pontos mais complexos de todo o processo de saída da União Europeia: a questão da fronteira irlandesa. Todos os partidos da oposição votaram contra May, até os unionistas irlandeses que a apoiam no governo, o que deixa antever um voto bem difícil ao acordo final.

Na próxima terça-feira, dia 11, os deputados votam o acordo final. Brown, que juntou a sua voz à dos que pedem um segundo referendo, considera que os tempos não estão para isolacionismos. “Não é uma boa altura para nos afastarmos da Europa. Pensar que o 1% de volume de trocas comerciais que mantemos com a Nova Zelândia ou com a África do Sul ou mesmo que os 15% que mantemos com a América podem substituir o comércio com a Europa é simplesmente errado”, disse o ex-primeiro-ministro.

Se o acordo não passar, May pode enfrentar uma moção de censura e a liderança conservadora pode mudar de mãos. A nuvem de umas eleições gerais também ainda não se dissipou. “O Brexit não vai resolver problemas como a estagnação dos rendimentos das pessoas ou o declínio do setor da indústria transformadora. Independentemente do lado para o qual olhemos, só conseguimos vislumbrar incerteza”, disse ainda Brown.