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Pyongyang expandiu significativamente base de mísseis de longo alcance, revelam novas imagens

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, assiste ao lançamento de um míssil com capacidade nuclear, numa foto divulgada em setembro de 2017

KCNA / Reuters

As imagens fornecem provas de que a base de mísseis Yeongjeo-dong e uma outra nas proximidades, anteriormente desconhecida, permanecem ativas e têm sido continuamente atualizadas. “Independentemente do que Kim diga sobre o seu desejo de desnuclearização, a Coreia do Norte continua a produzir e a instalar mísseis nucleares armados”, diz investigador

Novas imagens de satélite revelam que a Coreia do Norte expandiu significativamente uma importante base de mísseis de longo alcance numa zona montanhosa remota, apesar das negociações em curso com os EUA para o desarmamento nuclear.

As imagens, obtidas pela CNN esta quarta-feira, fornecem provas de que a base de mísseis Yeongjeo-dong e uma outra nas proximidades, anteriormente desconhecida, permanecem ativas e têm sido continuamente atualizadas. A base de Yeongjeo-dong é há muito conhecida dos serviços de informação americanos. Mas investigadores do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais de Monterey revelaram que uma nova instalação em Hoejung-ri, a 11 quilómetros de distância, ainda não tinha sido identificada.

O investigador Jeffrey Lewis, daquele instituto, revelou que “a construção da base anteriormente não identificada continuou mesmo após a cimeira de Singapura” entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente dos EUA, Donald Trump, em junho. “Independentemente do que Kim diga sobre o seu desejo de desnuclearização, a Coreia do Norte continua a produzir e a instalar mísseis nucleares armados”, acrescentou.

Nova cimeira Kim-Trump no próximo ano?

Pyongyang suspendeu oficialmente os seus testes nucleares e de mísseis antes da cimeira e tecnicamente a produção e instalação de mísseis não viola qualquer acordo entre a Coreia do Norte, a Coreia do Sul e os EUA. No entanto, a atividade contínua nas bases dá sustentação às críticas americanas de que o regime norte-coreano estará a protelar o processo de desnuclearização.

Na terça-feira, o conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, disse ao diário “The Wall Street Journal” que Trump acredita que deverá realizar uma segunda cimeira com Kim no início do próximo ano, uma vez que os norte-coreanos “não cumpriram os compromissos” do acordo de junho.

Vários analistas, que há muito argumentam que os EUA criaram expectativas irrealistas sobre o desarmamento, não se mostraram surpreendidos com as novas imagens de satélite.

“A Coreia do Norte não está a desarmar. Eles nunca disseram que o fariam. Bolton preocupa-se. Mas aqui está a reviravolta: Trump não [se preocupa]. Ele tem de estar bem ciente destes desenvolvimentos. Simplesmente não se importa. Kim finge desarmar e Trump finge acreditar nele”, escreveu no Twitter o professor associado de ciência política do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Vipin Narang.

Na quarta-feira, a agência estatal de notícias da Coreia do Norte pediu a suspensão total dos exercícios militares sul-coreanos e dos EUA com vista à construção de um regime de paz permanente e forte.