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Obras na estrada perto de Stonehenge perfuram monumento com mais de seis mil anos

Esta é uma representação a computador do aspeto que este monumento teria há 4500 anos.

Ludwig Boltzmann Institute

A zona destruída preservava, acreditam os estudiosos, alguns dos últimos vestígios da existência de uma espécie de gado, parecida com os bisontes, extinta no século XVII

As obras para a construção de uma autoestrada de quatro faixas perto do mítico monumento de Stonehenge causaram “dano irreparável” à estrutura, acusam alguns arqueologistas que denunciaram, esta quinta-feira, a existência de um enorme buraco, feito pela empresa de construção, numa estrutura de pedra com mais de seis mil anos.

Essa peça essencial da estrutura fica em Blick Mead, perto de Stonehenge, e a autoestrada deverá passar por baixo. “É puro vandalismo”, disse David Jacques, o arqueologista que gere o local, citado pela CNN. “Desde 2005 que andamos a explorar o local, sempre com cuidado, às vezes até escovas de dentes usamos para remover a terra e eles chegam aqui e estilhaçam este monumento. É chocante; de facto é muito perturbador”, acrescentou.

A zona destruída preservava, acreditam os estudiosos, alguns dos últimos vestígios da existência de uma espécie de gado, parecida com os bisontes, extinta no século XVII. O Stonehenge é tão importante porque se pensa ter sido aqui que apareceu o primeiro núcleo de vida organizada depois da última Idade do Gelo, há 12 mil anos.

A Highways England, a empresa estatal que está a construir a autoestrada, negou ter causado danos à estrutura. “As camadas arqueológicas não sofreram qualquer dano. A nossa análise até agora mostra que a construção não terá impacto na área de Blick Mead e todos os trabalhos têm sido conduzidos com muito cuidado e sempre na presença de um arqueólogo”, disse um porta-voz da empresa citado pela CNN.