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Internacional

Negociações de paz para o fim da guerra civil no Iémen devem começar esta quinta-feira

O Castelo de Johannesberg, na Suécia, foi o local escolhido para as negociações de paz no Iémen

STINA STJERNKVIST/AFP/Getty Images

Uma equipa da ONU trabalhará ao lado de delegações do Governo iemenita e dos rebeldes houthis no Castelo de Johannesbergs, na Suécia, para possibilitar conversas informais. Não é esperada uma solução imediata para o conflito. O principal objetivo será evitar uma batalha pelo porto de Hodeida, onde milhares de civis se encontram encurralados

As negociações de paz apoiadas pela ONU, que visam terminar quase quatro anos de guerra civil no Iémen, devem começar esta quinta-feira. O anúncio foi feito pelo escritório do enviado especial das Nações Unidas para o país, Martin Griffiths, no Twitter.

Uma equipa da ONU trabalhará ao lado de delegações do Governo iemenita e dos rebeldes houthis no Castelo de Johannesbergs, nos arredores de Estocolmo, na Suécia, para possibilitar conversas informais que deverão durar uma semana.

As negociações estão a ser retomadas pela primeira vez desde 2016. A última tentativa de paz negociada fracassou em setembro, quando os houthis não compareceram em Genebra. Não é esperado que estas conversas apresentem uma solução imediata para o conflito. O principal objetivo será evitar uma batalha pelo porto de Hodeida, onde milhares de civis se encontram encurralados.

“Uma verdadeira oportunidade para a paz”

As Nações Unidas esperam, ainda assim, criar uma estrutura para negociações sobre uma futura solução política para o Iémen.

Pouco antes de partir para a Suécia, o representante do Governo iemenita Abdullah al-Alimi disse que as conversações são “uma verdadeira oportunidade para a paz”, enquanto o chefe da delegação houthi, Mohammed Abdelsalam, prometeu “não poupar esforços para o sucesso das negociações”. No entanto, Abdelsalam também instou os rebeldes a continuarem “vigilantes contra qualquer tentativa de escalada militar”.

Na segunda-feira, um avião das Nações Unidas retirou do Iémen meia centena de rebeldes houthis feridos, que foram levados da capital, Sanaa, para tratamento em Omã. A transferência foi solicitada pelo enviado especial da ONU e foi acordada como uma medida de confiança antes das negociações de paz na Suécia.

Coligação militar de países árabes vs. rebeldes apoiados pelo Irão

Em quase quatro anos de conflito no Iémen, milhares de pessoas foram mortas em confrontos e milhões estão à beira da fome na pior crise humanitária do mundo nos últimos tempos.

O conflito intensificou-se no início de 2015, quando os houthis assumiram o controlo de grande parte do oeste do Iémen e forçaram o Presidente Abdrabbuh Mansour Hadi a fugir para o exterior.

Alarmados com a ascensão de um grupo que viram como uma provocação iraniana, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e outros sete Estados árabes intervieram na tentativa de restaurar o Governo.

Mais de seis mil civis mortos e mais de 10 mil feridos

A situação de milhares de civis encurralados no porto de Hodeida, controlado pelos rebeldes, tem motivado uma preocupação generalizada.

Pelo menos 6660 civis foram mortos em combates que provocaram 10.560 feridos, de acordo com as Nações Unidas. Milhares de civis morreram de causas evitáveis, incluindo malnutrição, e outras doenças e problemas de saúde.

A Organização Mundial da Saúde alertou em outubro que cerca de 10 mil novos casos suspeitos de cólera são registados todas as semanas.