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Internacional

Sérvia coloca intervenção militar “em cima da mesa” se Kosovo criar um exército

Desde 17 de fevereiro de 2008, quando se tornou independente da Sérvia, o Kosovo já foi reconhecido por mais de 110 países

ARMEND NIMANI

O pequeno país, independente apenas desde 2008 mas reconhecido pela maioria dos países da ONU, vai votar este mês pela passagem, ou não, das suas “forças de segurança” a “exército de facto”. A Sérvia, que não reconhece o Kosovo, ameaça intervir caso o parlamento vote pela criação dessa força militar

A primeira-ministra da Sérvia, Ana Brnabic, disse esta quarta-feira que a criação de um exército do Kosovo poderia justificar uma intervenção militar do seu país para evitar “uma limpeza étnica”.

O Kosovo é um pequeno país nos Balcãs, geograficamente “embutido” na Sérvia, maioritariamente muçulmano e que só conseguiu a sua independência em 2008 - e, mesmo aí, foi obrigado a declará-la unilateralmente. Desde aí, muitos países reconheceram a sua existência como Estado independente mas alguns países, como a Espanha, ainda não o fizeram. Dia 14 de novembro, o parlamento irá votar para decidir se o país transforma, ou não, o seu corpo de defesa, que não tem ao dispor armamento pesado, num “exército pleno”.

Apesar de esse processo não ser imediato, a Sérvia receia que uma força militar melhor preparada e armada possa significar a expulsão, ou mesmo a perseguição violenta, das minorias sérvias que ainda vivem no país - e que já são discriminadas de outras formas. Por exemplo, os seus membros são impedidos de vender o que produzem numa grande parte do resto do Kosovo.

Os líderes kosovares negam que seja esta a sua intenção e os representantes europeus que há mais de dez anos ajudam a pequena Nação a estabelecer instituições e um Estado de Direito também se opõem a este leitura, mas a primeira-ministra mantém que é preciso agir caso seja este o passo que venha a ser dado pelo parlamento kosovar na próxima semana: “Esperamos nunca ter que o usar [o exército] mas é claramente uma das opções em cima da mesa porque não queremos observar uma limpeza étnica”, disse Ana Brnabic aos jornalistas em Belgrado, citada pela Al Jazeera.

É, no entanto, pouco provável que a Sérvia venha a dar corpo às ameaças uma vez que, tal como o Kosovo, o país espera poder fazer parte da União Europeia num futuro próximo. Além disso, a Sérvia já experimentou a força da NATO quando se recusou a abandonar o território que ainda não era, na altura, o Kosovo independente e foi fortemente bombardeada.