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Michael Flynn deu ajuda “substancial” à investigação e não deve ser condenado à prisão, diz Mueller

Andrew Harrer/Pool/Getty Images

O ex-assessor de segurança nacional ajudou na investigação “sobre ligações ou coordenação entre o Governo russo e indivíduos ligados à campanha de Trump” e também forneceu “informações em primeira mão acerca do conteúdo e contexto das interações entre a equipa de transição e funcionários do Governo russo”, justificou o procurador especial

O procurador especial dos EUA, Robert Mueller, disse esta terça-feira que Michael Flynn, antigo assessor de segurança nacional do Presidente Donald Trump, forneceu uma cooperação “substancial” à sua investigação sobre um possível conluio entre a equipa da campanha de Trump e a Rússia. Mueller pede, por isso, que Flynn não seja condenado à prisão.

Flynn ajudou na investigação “sobre ligações ou coordenação entre o Governo russo e indivíduos ligados à campanha de Trump” e também forneceu “informações em primeira mão acerca do conteúdo e contexto das interações entre a equipa de transição e funcionários do Governo russo”, acrescentou Mueller.

O ex-assessor de Trump também forneceu ajuda noutras investigações criminais, embora esses dados tenham sido ocultados para manter em segredo as informações sobre as investigações em curso, revelaram ainda procuradores.

Como se comportou Flynn ao longo do processo?

Michael Flynn, que ocupou o cargo de assessor de segurança nacional na Casa Branca durante apenas 24 dias, declarou-se culpado em dezembro de 2017 por ter mentido ao FBI nos seus contactos com a Rússia. Flynn será julgado no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia a 18 de dezembro.

Ele é até agora o único membro da Administração Trump a declarar-se culpado de um crime descoberto durante a ampla investigação de Mueller sobre as tentativas russas de influenciar as eleições americanas de 2016 e o possível conluio com assessores de Trump.

General reformado do exército, Flynn foi forçado a renunciar ao cargo de conselheiro de segurança nacional em fevereiro de 2017 depois de se saber que induziu em erro o vice-presidente, Mike Pence, sobre as conversas que manteve com o então embaixador da Rússia Sergei Kislyak.

Os procuradores concluíram que os dois homens discutiram as sanções dos EUA contra a Rússia e que Flynn também pediu a Kislyak para ajudar a atrasar um voto das Nações Unidas visto como prejudicial a Israel.

O crime de mentir ao FBI implica uma pena máxima legal de cinco anos de prisão. No entanto, o acordo de confissão de Flynn afirma que ele é elegível para uma pena de zero a seis meses e pode solicitar ao tribunal que não lhe aplique uma multa.

Que outros rostos a investigação destapou?

A investigação de Mueller, que poderá ameaçar a presidência de Trump, já envolveu 32 pessoas e três empresas russas. O procurador especial deverá fazer um relatório sobre as suas descobertas durante o próximo ano.

O antigo diretor da campanha de Trump, Paul Manafort, e Rick Gates, um protegido de Manafort e também envolvido na campanha, bem como o ex-advogado pessoal de Trump, Michael Cohen, estão entre os outros acusados de Mueller. Na semana passada, Cohen confessou ter mentido ao Congresso sobre a proposta para um arranha-céus em Moscovo.

Trump tem apelidado a investigação de Mueller de “caça às bruxas” e negou as acusações de conluio com a Rússia. Moscovo nega ter-se intrometido nas eleições.