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Internacional

Empresário de Hong Kong subornou líderes africanos para garantir direitos petrolíferos

David McNew/Getty

Defesa de Ho reconheceu os pagamentos, mas afirmou que as doações pretendiam “fomentar a bondade”, segundo a Associated Press

Um empresário de Hong Kong foi nesta quarta-feira considerado culpado, por um júri federal norte-americano, de suborno aos Presidentes do Chade e do Uganda, para assegurar que direitos petrolíferos naqueles países fossem atribuídos a uma empresa chinesa. Chi Ping Patrick Ho foi considerado culpado de sete das oito acusações que enfrentava, que incluem conspiração, branqueamento de capitais e violação da Lei de Práticas Corruptas no Exterior.

A defesa de Ho reconheceu os pagamentos, mas afirmou que as doações pretendiam "fomentar a bondade", segundo a Associated Press. Entre os pagamentos feitos por Ho está a entrega de dois milhões de dólares (1,76 milhões de euros) em presentes endereçados ao Presidente do Chade, em 2014, para beneficiar a CEFC China Energy.

Ho, oftalmologista e antigo secretário para os Assuntos Internos de Hong Kong, foi julgado em Nova Iorque, cidade norte-americana onde foram detetadas importantes reuniões, comunicações e transferências. O réu era responsável por um "grupo de pesquisa sem fins lucrativos" da CEFC China Energy, um estatuto que a acusação acredita ter facilitado as práticas.

"Gerir uma organização não-governamental permitiu ao acusado passar-se" por um apoiante de causas humanitárias, referiu Paul Hayder, advogado de acusação, ao júri, acrescentando que Ho "ofereceu milhões de dólares em subornos e fê-lo para obter negócios". A acusação considerou que Ho era um "batoteiro que encheu os bolsos dos responsáveis governamentais" de modo a estimular o crescimento da CEFC China Energy, num processo que envolve vários antigos presidentes da Assembleia Geral das Nações Unidas.

No entender da defesa, que considera a acusação como "um processo de suborno sem suborno", Ho terá tentado documentar os pagamentos feitos aos responsáveis estrangeiros. "Ele não tentou esconder o que estava a fazer", afirmou o advogado de defesa Edward Kim.

Um dos testemunhos ouvidos no tribunal foi o de Cheikh Gadio, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal.
Gadio terá sido o responsável por apresentar Ho a Idriss Deby, Presidente do Chade. Ao júri, Gadio afirmou que o Presidente chadiano ficou "enraivecido" depois de a sua equipa de segurança descobrir os dois milhões de dólares em dinheiro distribuídos por várias ofertas.

A testemunha referiu que o primeiro impulso do chefe de Estado foi expulsar a delegação da empresa, tendo perguntado a Gadio "porque é que as pessoas acreditam que todos os líderes africanos são corruptos?". Segundo Gadio, Ho ficou "impressionado" pela recusa de Deby, tendo insistido para que o Governo do Chade mantivesse o dinheiro como "uma oferta caridosa".

A defesa de Ho acusou Gadio de que foi este a sugerir o pagamento. "Ele nunca se responsabilizou pelas suas ações", disse Edward Kim sobre Gadio.

Ho foi ainda acusado de subornar Sam Kutesa, ministro nos Negócios Estrangeiros do Uganda e antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, e o seu cunhado, o Presidente do Uganda, Yoweri Museveni.

O empresário de Hong Kong não testemunhou durante o julgamento de sete dias. O caso, a que a acusação apelidou de "Esquema Uganda", terá tido início em outubro de 2014.