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Ucrânia acusa Rússia de bloquear acesso a portos marítimos no Mar de Azov

ALEKSEY FILIPPOV/GETTY IMAGES

No total, 35 navios estão impedidos de circular normalmente e só é possível ter acesso aos portos russos no mar de Azov, segundo informações prestadas pelo ministro das Infraestruturas ucraniano. Presidente da Ucrânia já pediu ajuda à NATO

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Enquanto se aguarda que todos os marinheiros ucranianos detidos pelas autoridades russas sejam ouvidos em tribunal, Moscovo terá ordenado o encerramento de dois portos marítimos no mar de Azov, impedindo a saída ou entrada de navios naquele local. A informação foi dada pelo ministro das Infraestruturas ucraniano.

Segundo Volodymyr Omelyan, foi bloqueado o acesso aos portos de Berdyansk e Mariupol, na sequência do confronto naval, ocorrido no domingo passado, entre navios russos e ucranianos.

No total, 35 navios estão impedidos de circular normalmente e só é possível ter acesso aos portos russos no mar de Azov. Para o ministro, o objetivo da Rússia é “simples” - “ao bloquear os portos ucranianos, Moscovo espera empurrar a Ucrânia para fora de um território que, de acordo com todas as leis internacionais relevantes, lhe pertence por direito”, escreveu no Facebook.

O referido confronto deu-se na zona do estreito de Kerch, que une os mares Negro e Azov, na costa da Crimeia, território anexado por Moscovo em 2014. Vários navios da guarda costeira russa atacaram dois navios da Marinha ucraniana e um rebocador que percorriam aquelas águas.

Segunda a versão russa dos acontecimentos, as embarcações ucranianas violaram a fronteira com a Rússia e cometeram “ações ilegais nas águas territoriais russas”, tendo apontado as suas armas em direção às lanchas russas. Terá havido também um aviso prévio para abandonar a zona que não foi cumprido.

A Ucrânia não só desmente que tenha recebido um alerta como assegura que a Rússia estava a par da deslocação dos navios, considerando por isso que foi cometido um “ato agressivo visando uma escalada premeditada” na região. Esta quarta-feira foi aliás divulgada informação pelas autoridades ucranianas sobre o local exato onde os navios foram apresados, para demonstrar que estavam em águas internacionais e não russas.

Depois da investida, e já perto da Ponte de Kerch, que liga a Rússia à Crimeia, os navios ucranianos foram bloqueados e os seus tripulantes detidos. Entre três a seis ucranianos terão ficado feridos. Dos 24 tripulantes a bordo dos navios ucranianos, cerca de metade mantêm-se sob custódia e outros devem comparecer entretanto em tribunal, enfrentando penas de até seis anos de prisão caso sejam considerados culpados.

A um deles foi na quarta-feira decretada prisão preventiva até 25 de janeiro pelo tribunal de Simferopol, capital da península da Crimeia. Fontes ucranianas citadas pela agência Efe indicam que os marinheiros ucranianos vão ser representados por um advogado que já defendeu ativistas tártaros acusados de extremismo por não reconhecerem a anexação russa da Crimeia, informação que, porém, ainda carece de confirmação.

O incidente entre os navios veio aumentar a tensão entre os dois países, que há vários anos não entravam em conflito direto, embora as forças ucranianas continuem a lutar contra os separatistas apoiados por Moscovo no leste do país.

Segundo o ministro das Infraestruturas ucraniano, há 18 navios à espera de entrar no Mar de Azov, quatro no porto de Berdyansk e 14 no de Mariupol. Nove embarcações aguardam autorização para abandonar as águas do referido mar e outras oito encontram-se perto dos ancoradouros do porto, estando a sua circulação impedida.

Para tentar resolver o problema, o Presidente ucraniano, Petro Poreshenko, pediu à Nato para enviar navios para o Mar de Azov, numa entrevista ao alemão “Bild”. “Esperamos que os países que pertencem à NATO estejam dispostos a enviar embarcações para o Mar de Azov de modo a auxiliar a Ucrânia e a garantir a segurança.”