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Japão prepara-se para comprar primeiro porta-aviões desde a Segunda Guerra Mundial

CHRISTOPHE SIMON/AFP/Getty Images

Para os críticos, isso viola o compromisso constitucional assumido no pós-guerra de que o ramo militar teria um papel meramente defensivo. Abe disse a Trump que os equipamentos militares seriam “importantes para fortalecer as defesas do Japão”. A crescente atividade naval da China aumentou as tensões relativamente a ilhas disputadas pelos dois países

O Japão deverá adquirir pelo menos um porta-aviões pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial numa tentativa de travar a expansão marítima chinesa no Oceano Pacífico. A notícia é avançada esta quinta-feira pelo jornal inglês “The Guardian”, que cita meios de comunicação nipónicos.

O Governo japonês também vai atualizar os dois transportadores de helicópteros que já possui para que possam transportar e lançar caças. Os planos deverão ser incluídos nas novas diretrizes de defesa a divulgar em dezembro.

O jornal “Nikkei Asian Review” escreveu na terça-feira que Tóquio se prepara para comprar 100 caças furtivos F-35 aos EUA, um ano depois de o Presidente Donald Trump ter pedido ao Japão que comprasse mais equipamentos militares fabricados nos Estados Unidos. Os novos caças juntam-se aos 42 caças F-35 que as autoridades japonesas já adquiriram aos EUA.

Em setembro, o primeiro-ministro Shinzo Abe disse a Trump que os equipamentos militares seriam “importantes para fortalecer as defesas do Japão”.

Japão preocupado com atividade naval chinesa no Mar da China Oriental e no Mar do Sul da China

Ao reequipar os seus dois navios de 248 metros de comprimento, que podem transportar até 14 helicópteros, Tóquio estará a adquirir na prática o seu primeiro porta-aviões desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Para os críticos, isso viola o compromisso constitucional assumido no pós-guerra de que o ramo militar teria um papel meramente defensivo.

Anteriores governos japoneses descartaram a aquisição de porta-aviões, alegando que as capacidades dos navios poderiam ser interpretadas como ofensivas, o que representaria uma possível violação da Constituição pacifista do país.

O aumento da atividade naval da China em águas distantes da costa japonesa fez subir as tensões entre os dois países relativamente às Senkakus, ilhotas inabitadas no Mar da China Oriental administradas pelo Japão mas reivindicadas pela China, onde são conhecidas como Diaoyu. As autoridades japonesas também estarão preocupadas com os gastos militares chineses e a atividade naval no Mar do Sul da China.