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“Eu gritei: ‘O meu nome é John, eu amo-vos e Jesus ama-vos também’”. Morreu na mesma

YE AUNG THU/Getty

O jovem norte-americano morto por membros de uma das mais isoladas tribos do mundo deixou um bloco de notas onde foi descrevendo as tentativas de aproximação a estes homens, a quem queria levar a palavra de Deus

Há mais pormenores sobre o jovem missionário católico morto por uma tribo isolada na Baía de Bengala, no passado dia 17. E foi o próprio John Chau que os escreveu, ao partilhar os seus últimos dias num diário, páginas que os pais agora escolheram entregar ao “Washington Post”.

Nas notas deixadas por Chau, que foi levado até à ilha Sentinela do Norte por pescadores indianos na calada da noite, fica claro que o jovem tentou mais do que uma vez chegar à ilha, enfrentando sempre a hostilidade dos ‘sentineleses’ que o tentaram dissuadir disparando flechas. Quando voltava para o barco depois das tentativas de contacto, escrevia o que se tinha passado nos breves encontros com esta tribo, totalmente protegida da ingerência por duras leis que impedem qualquer pessoa de atentar contra a sua forma de vida.

Mas Chau também os queria mudar, trazendo-os para a fé cristã que o levou a enfrentar os perigos conhecidos de se aproximar. “Eu gritei: ‘O meu nome é John, eu amo-vos e Jesus ama-vos também’”, escreveu ele nas suas notas.

Pouco depois dessa passagem, Chau conta que um jovem disparou sobre ele com arco e flecha. John sabia que a sua viagem era ilegal, que a zona era protegida pela polícia marítima mas o ímpeto de levar a palavra na qual acreditava até uma das zonas mais inexploradas do mundo, deu-lhe força. “Senhor! Será esta ilha um dos últimos redutos de Satanás, onde ninguém ouviu ou teve a oportunidade de ouvir o Teu nome?”.

Dependra Pathak, director da polícia dos arquipélagos de Andaman e Nicobar, confirmou à CNN que o barco parou a uma distância entre os 500 e os 700 metros e que Chau utilizou uma canoa para percorrer essa distância. No primeiro dia em que tentou chegar à ilha voltou ao barco com ferimentos provocados por uma flecha. “No dia 16 partiram-lhe a canoa, então ele veio a nadar até ao barco. No dia 17 os pescadores viram alguns homens a arrastar o seu corpo na praia”, disse Pathak.

"Vocês até podem achar-me maluco mas acho que vale a pena declarar a existência de Jesus a estas pessoas. Meu Deus, eu não quero morrer”, escreveu ele numa mensagem destinada à família.