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SOS Mediterranée nega que o navio Aquarius esteja envolvido em atividade ilegais

Getty Images

A ONG garante que o Aquarius sempre seguiu os procedimentos regulamentares e classificou o arresto preventivo das autoridades italianas como “uma nova tentativa de criminalizar a ajuda humanitária no mar”

A SOS Mediterranée, uma das organizações não-governamentais (ONG) responsáveis pelo navio Aquarius, rejeitou esta terça-feira qualquer envolvimento em atividades ilegais e classificou o arresto preventivo das autoridades italianas com "uma nova tentativa de criminalizar a ajuda humanitária no mar".

"A SOS Mediterranée apoia os seus parceiros Médicos Sem Fronteiras (MSF) condenando a decisão das autoridades judiciais italianas de ordenarem o arresto preventivo do Aquarius", por alegado tratamento ilegal de resíduos, salienta a ONG num comunicado.

O arresto foi ordenado após uma investigação do Ministério Público de Catânia (Sicília) ao tratamento de resíduos - vestuário de migrantes, resíduos alimentares e resíduos sanitários - nos portos italianos. Segundo a imprensa italiana, os investigadores suspeitam que o navio humanitário, fretado desde 2016 pela SOS Mediterranée e MSF para resgatar migrantes ao largo da costa da Líbia, fez passar um total de 24 toneladas de resíduos potencialmente tóxicos por resíduos convencionais.

A SOS Mediterranée "rejeita categoricamente qualquer acusação de envolvimento em atividades ilegais" e garante que o Aquarius sempre seguiu os procedimentos regulamentares, "que nunca foram questionados pelas autoridades".

O diretor de operações Frederic Penard salienta, no mesmo comunicado, que "este é mais um numa série de ataques que visam a criminalização da ajuda humanitária no mar", acrescentando que esta situação "trágica" tem impedido a operação de navios de resgate humanitário no Mediterrâneo central, elevando a taxa de mortalidade.

"Confrontados com mais um ataque com motivações políticas, esperamos que as autoridades francesas mostrem contenção na aplicação desta decisão, já que o Aquarius está atualmente ancorado no porto de Marselha", apela a SOS Mediterranée.

A SOS Mediterranée adianta que as ONG estão "totalmente alinhadas" e apoia os esforços da MSF para recorrer da decisão dos tribunais.

O vice-primeiro-ministro italiano de extrema-direita, Matteo Salvini, já reagiu na sua conta de Twitter, anunciando o arresto do Aquarius e congratulando-se com a decisão: "fiz bem em bloquear os navios da ONG, travei não só o tráfico dos imigrantes clandestinos mas, pelo que está a vir a público, também o dos resíduos tóxicos".

O Ministério Público italiano está a investigar 24 pessoas, na sua maioria ligadas à MSF, entre os quais dois agentes da Guarda Marítima.

A Guarda de Finanças, que conduziu as investigações juntamente com a polícia italiana, estabeleceu "que houve tratamento ilegal de resíduos em 44 ocasiões e um total de 24.000 quilos de lixo".

As contas bancárias do MSF em Itália também foram bloqueadas pela justiça.

"Todas as nossas operações portuárias, incluindo a gestão de resíduos, sempre seguiram o procedimento padrão. As autoridades competentes não contestaram esses procedimentos ou identificaram qualquer risco para a saúde pública desde que iniciamos nossas operações no mar", respondeu a organização MSF num comunicado.

"O único crime que vemos hoje no Mediterrâneo é o total desmantelamento do sistema de busca e salvamento", denunciou Gabriele Eminente, diretora-geral da MSF na Itália, alertando para "dois anos de campanhas difamatórias" contra organizações não-governamentais.