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Ministro do Interior francês denuncia “deriva total” de protesto dos “coletes amarelos”

XAVIER LEOTY/GETTY IMAGES

"Podemos ver hoje que temos uma deriva total de uma manifestação que foi essencialmente bem-humorada no sábado. Temos agora uma radicalização, com reivindicações que não são mais consistentes", disse Christophe Castaner

O ministro do Interior francês denunciou esta terça-feira a "deriva total" do protesto do movimento dos "coletes amarelos", iniciado no sábado contra o aumento dos impostos sobre combustíveis, apontando uma “radicalização" e um "número muito grande de feridos".

"Podemos ver hoje que temos uma deriva total de uma manifestação que foi essencialmente bem-humorada no sábado. Temos agora uma radicalização, com reivindicações que não são mais consistentes", disse Christophe Castaner ao canal France 2.

Os protestos, que continuam na manhã desta terça-feira nas estradas e postos de abastecimento, provocaram a morte a uma pessoa e feriram 528, 17 das quais gravemente.

Christophe Castaner mencionou o caso de "três policiais feridos por bolas de petanca" e da intervenção da polícia durante a noite em Langueux (Côtes-d'Armor) para retirar de um centro comercial "homens que tinham barras de ferro e coquetéis molotov".

"O direito de se manifestarem (...) não é o direito de bloquear, de ferir a polícia", disse o ministro do Interior, acrescentando que houve desde sábado "tantos feridos no corpo policial quanto durante a evacuação de Notre-Dame-des-Landes", em abril.

"Haverá hoje verificações de identidade", advertiu, convidando "as pessoas que são pacíficas, mas que são levadas por aqueles que são mais radicais, a permanecer dentro dos limites do quadro legal”.

"Devemos também pensar que as nossas forças policiais estão mais bem mobilizadas para garantir a segurança dos nossos concidadãos do que para antecipar ou correr atrás de pessoas que querem bloquear rotundas", acrescentou.

O movimento dos "coletes amarelos", que desde sábado promove protestos e marchas lentas em França contra o aumento do imposto sobre combustíveis, promete bloquear Paris no próximo sábado, segundo dois apelos lançados na rede social Facebook.

Os protestos dos "coletes amarelos", numa referência aos coletes amarelos que todos os automobilistas devem ter nos automóveis para se tornarem visíveis, mobilizaram centenas de milhares de pessoas em todo o país.

Os "coletes amarelos" são um movimento cívico à margem de partidos e sindicatos criado espontaneamente nas redes sociais e alimentado pelo descontentamento da classe média-baixa.

O movimento, que alargou os protestos contra a carga fiscal em geral, é um novo obstáculo para o executivo de Emmanuel Macron, que decidiu aumentar os impostos dos combustíveis para promover a transição energética.

O Governo decretou um aumento dos impostos dos combustíveis de 7,6 cêntimos por litro para o ‘diesel’ e de 3,9 cêntimos para a gasolina e, a partir de janeiro, serão aplicadas taxas adicionais a estes produtos de 6 e de 3 cêntimos, respetivamente.

Os "coletes amarelos" têm o apoio de 74% da população francesa, segundo uma sondagem publicada na semana passada.