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Minas remanescentes de guerras mataram 2739 pessoas em 2017. Afeganistão e Síria no topo da lista

DELIL SOULEIMAN/GETTY IMAGES

Em 2017, mais de sete mil pessoas foram vítimas de minas terrestres e explosivos remanescentes de guerra, tendo provocado 2739 mortes e ferindo 4431, diz o relatório “Landmine Monitor”, uma iniciativa da organização não-governamental Campanha Internacional para a Abolição de Minas (ICBL – Internacional Campaign to Ban Landmines), divulgado em Genebra esta terça-feira

Pelo terceiro ano consecutivo, os acidentes causados por minas e explosivos remanescentes de guerra atingem números “excecionalmente altos”, incluindo milhares de crianças, diz um relatório hoje divulgado em Genebra.

Em 2017, mais de sete mil pessoas foram vítimas de minas terrestres e explosivos remanescentes de guerra, tendo provocado 2739 mortes e ferindo 4431, diz o relatório “Landmine Monitor”, uma iniciativa da organização não-governamental Campanha Internacional para a Abolição de Minas (ICBL – Internacional Campaign to Ban Landmines), divulgado em Genebra esta terça-feira.

O número de crianças entre as vítimas (2452) atingiu números historicamente elevados, pelo segundo ano consecutivo.

Estes números são considerados “excecionalmente altos”, pela ICBL, comparando com os níveis de há cinco anos, embora representem um ligeiro decréscimo relativamente a 2016.

Os resultados globais devem-se, em grande parte, às vítimas de países envolvidos em conflitos militares, particularmente o Afeganistão e a Síria, mas ainda Ucrânia, Iraque, Paquistão, Nigéria, Myanmar, Líbia e Iémen.

As vítimas de minas e de explosivos remanescentes de guerra foram identificadas em 49 países, 33 dos quais assinaram o Tratado para Banir Minas (reconhecido por 164 países).

Uma em cada dez vítimas das minas são civis (87%), constituindo uma parte crescente do universo total.

Numa nota mais positiva, o relatório “Landmine Monitor” indica que meio milhão de minas foram destruídas, em 2017, estimando-se que restem pouco menos de 50 milhões.

As áreas mais beneficiadas pelos esforços da ICBL situam-se no Afeganistão, Croácia, Iraque e Camboja, representando cerca de 80% do desmantelamento de minas.

São 60 os países e áreas contaminados por minas antipessoais, incluindo 34 países que assinaram o Tratado para Banir Minas, 22 que ficaram de fora e quatro outras áreas.

A ICBL reconhece que tem tido menos recursos disponíveis para a sua causa, nos últimos anos, denunciando que essa lacuna tem dificultado a assistência a vítimas nos países mais afetados.

Aquela organização não-governamental é uma rede global com presença em cem países e com o objetivo de erradicar minas antipessoais e explosivos remanescentes de guerra.

Criada em 1992, a ICBL recebeu em 1997 o Prémio Nobel da Paz pelo reconhecimento do seu esforço para colocar em prática um tratado internacional para banir minas.