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Resolvido o mistério do submarino argentino desaparecido há um ano. Estava precisamente onde deveria estar

ALEJANDRO MORITZ/GETTY

O submarino" San Juan" desapareceu sem deixar rasto em novembro de 2017, com 44 tripulantes a bordo. As buscas prolongaram-se durante meses, sem qualquer sucesso. Foi finalmente descoberto no Oceano Atlântico, a 900 metros de profundidade, e precisamente no sítio onde as buscas tiveram início. Familiares das vítimas exigem recuperação dos destroços para que se descubra toda a verdade. Governo reconhece que não tem meios para trazer submarino à superfície

A última comunicação aconteceu às primeiras horas do dia 15 de novembro de 2017. O submarino argentino "San Juan" regressava do porto de Ushuaia, no extremo mais a sul do país, e tinha como destino a sua base permanente em Mar del Plata. A bordo seguiam 44 tripulantes. Depois disso, o silêncio.

As operações de busca envolveram dezenas de navios de uma dúzia de países e prolongaram-se por vários meses. Revelaram-se sempre infrutíferas, e a marinha argentina acabou por prosseguir as buscas em conjunto com algumas empresas privadas, mas com recursos mais limitados. Um ano e um dia depois do desaparecimento, o mistério foi finalmente resolvido.

“O Ministério da Defesa e a Marinha da Argentina informam que a investigação do navio da Ocean Infinity permitiu a localização positiva da ARA San Juan", começaram por divulgar as autoridades argentinas, através de um publicação na rede social Twitter. O Ocean Infinity é uma empresa privada norte-americana que ajudou nas buscas iniciais, e nunca chegou a suspender os esforços para tentar encontrar o submarino.

“Encontra-se alojado numa cavidade a mais de 900 metros de profundidade, o que impediu a sua localização pelos radares", explicou Gabriel Attis, comandante da base naval de Mar del Plata. Quanto às possíveis causas do acidente, as autoridades falam para já apenas numa “implosão”, sem adiantar mais pormenores.

Attis fez estas declarações à saíde do hotel onde se encontrou com alguns dos familiares das vítimas, para lhes dar explicações e mostrar algumas provas da descoberta, entre elas três fotografias: da hélice, da vela e de uma secção da proa. O pormenor mais estranho do caso é que o aparelho foi encontrado precisamente no local onde deveria estar àquela hora, naquele dia. "É onde devia estar às 10:53, do dia 15 de novembro de 2017, na área 1, a zona de busca onde tudo começou. Estava numa cavidade a 907 metros de profundidade, e por isso é que, na altura, os sonares não o conseguiram identificar”.

Familiares exigem apuramento de toda a verdade

Os familiares das 44 vítimas mortais exigem entretanto que o aparelho seja recuperado, para que se apure tudo o que terá acontecido naquele dia. "Queremos que o recuperem, saber a verdade, porque é que isto aconteceu", afirmou um dos pais de um dos marinheiros, que se encontravam precisamente em Mar del Plata para assinalar o aniversário do desaparecimento do submarino San Juan. Os familiares das vítimas mostram ainda desconfiança face à forma como todo o processo de desenrolou. "Nós sentimos que o Governo já sabia e que estava a encobrir". Pedem ainda "verdade e justiça" e que sejam "encontrados os culpados desta tremenda tragédia".

O ministro argentino da Defesa reconheceu entretanto este sábado que o Governo não tem meios para trazer à superfície o submarino San Juan. "Diria que não temos meios, nem para mergulhar. Também não temos veículos operados remotamente para descer a essas profundidades nem equipamento para ir buscar um navio destas características", afirmou Oscar Aguad numa conferência de imprensa em Buenos Aires.

O chefe da Marinha, José Luis Vilán, apontou dois limites à exigência dos familiares, que querem a recuperação do submarino: por um lado, do ponto de vista legal seria necessário esperar que a juíza encarregada da investigação dê uma autorização nesse sentido. Já de um ponto de vista técnico, não se sabe o suficiente sobre as condições em que está o submarino.

A juíza responsável pela investigação judicial a este caso, Marta Yáñez, afirmou por sua vez que agora acabam os "milhões de especulações" sobre o desaparecimento do submarino, como as teorias de que estaria sequestrado nas Malvinas ou teria sido desmontado para sucata. Mas se algumas teorias da conspiração chegam ao fim, as famílias continuam sem respostas definitivas.