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Primeiro-ministro da França escreve em inglês no Facebook: “Número de ataques antissemitas em França aumenta 70%”

ALAIN JOCARD/GETTY

O número de atos antissemitas em França subiu quase 70% nos primeiros nove meses deste ano. A denúncia foi feita num texto publicado no Facebook pelo primeiro-ministro Edouard Philippe, em que o governante homenageia as vítimas da trágica ‘Noite de Cristal’

Infiel à língua francesa mas fiel à ideia de que a paz só se constrói com a criação de pontes, o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, presta homenagem às vítimas da trágica ‘Noite de Cristal’ com a publicação de um texto longo em inglês na rede social Facebook: “Foi há 80 anos que isto aconteceu. Na noite de 9 de novembro de 1938, na Alemanha, os nazis deram início a uma onda de violência dirigida de forma sistemática contra sinagogas, lojas propriedade de judeus e casas de judeus. O barulho sinistro das janelas quebradas deu o nome a este terrível episódio da história: Noite de Cristal”.

No texto, Edouard Philippe, explica porque é que esta terrível memória deve ser evocada em 2018: “No nosso país, os últimos dados sobre a evolução dos atos antissemitas são implacáveis. Durante dois anos o número diminuiu, mas nos primeiros nove meses [deste ano] este ataques cresceram 69%”.

“O perigo real, meu filho, chama-se indiferença”

O chefe do Governo francês cita os ensinamentos do Nobel da literatura Elie Wiesel sobre o alheamento: “O perigo real, meu filho, chama-se indiferença”. Philippe não quer que o seu país seja indiferente e, por isso, escolheu este dia para denunciar o aumento dos ataques antissemitas: “Cada agressão contra um dos nossos cidadãos por ser judeu soa como um novo vidro partido”.
Atento ao mundo, após o atentado contra a sinagoga de Pittsburgh [EUA], no final de outubro, Philippe tinha mostrado a sua determinação em “não deixar passar nada” no que toca a atos antissemitas em França. “Para não ficar indiferente, é melhor receber as vítimas, levar em conta suas queixas, para assim poder punir melhor os autores. Como parte do plano nacional de combate ao racismo e ao antissemitismo, decidimos experimentar uma rede de investigadores e magistrados especificamente treinados na luta contra atos de ódio, com um novo modelo de atendimento. Espero que este esforço seja ampliado. O sistema de pré-denúncia online já está operacional para vítimas de atos de ódio.”

Para 2019, o Governo francês prepara para uma alteração na lei que permita reforçar a luta contra o ódio na Internet, pressionando as operadoras de telecomunicações.

Se escolhêssemos um dia para assinalar o momento em que a Europa abriu a ‘porta’ à II Guerra Mundial, esse dia tem de evocar o assassínio, em Paris, do diplomata alemão Ernst vom Rath por Herschel Grynszpan, judeu de ascendência polaca, nascido na Alemanha, que queria vingar a expulsão da sua família da Alemanha com outros 12 mil polacos. Os nazis alemães enfureceram-se e responderam com violência na noite de 9 de novembro. Cerca de uma centena de judeus foram espancados até à morte nas ruas de várias cidades e mais de 20 mil enviados para campos de concentração. Hoje assinala-se o 80.º aniversário da onda de violência que abriu a porta à II Guerra Mundial.

Para que a noite nunca se repita

Os alemães assinalam hoje os 80 anos sobre a 'Kristallnacht' ou 'Noite de Cristal', quando mais de mil sinagogas na Alemanha foram queimadas ou totalmente destruídas, assim como largas centenas de espaços comerciais de proprietários judeus.

No romance “Noite”, Elie Wiesel, que tinha 10 anos em 1938, partilha e exorciza a sua terrível experiência como prisioneiro com o número A-7713 nos campos de Auschwitz e Buchenwald. Este judeu nascido na Roménia perdeu a mãe e a irmã nos campos. Emigrou para os Estados Unidos em 1955 e naturalizou-se americano.