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Filipinas. Imelda Marcos, culpada em sete acusações de corrupção, enfrenta pelo menos 42 anos de prisão

TED ALJIBE/AFP/Getty Images

As acusações à antiga primeira-dama dizem respeito a fundações privadas que criou na Suíça enquanto ocupou cargos públicos. A prisão de Imelda foi ordenada imediatamente após a leitura do veredicto. A condenação também a desqualifica perpetuamente para cargos públicos, o que significa que terá de abandonar a Câmara dos Representantes

A antiga primeira-dama das Filipinas foi declarada culpada esta sexta-feira em sete acusações de corrupção durante os seus 20 anos no cargo. Atualmente com 89 anos, Imelda Marcos enfrenta uma pena de prisão entre seis e 11 anos por cada acusação de corrupção, o que significa que poderá ser condenada a pelo menos 42 anos de prisão.

As acusações, que resultam de um processo judicial que se arrasta há duas décadas, dizem respeito a fundações privadas que ela criou na Suíça enquanto ocupou cargos públicos entre 1968 e 1986. A prisão de Imelda, que não esteve presente no julgamento, foi ordenada imediatamente após a leitura do veredicto. Contudo, ela poderá ficar livre mediante o pagamento de uma fiança, enquanto recorre da decisão.

A condenação também a desqualifica perpetuamente para cargos públicos, o que significa que terá de abandonar a Câmara dos Representantes, onde atualmente cumpre um terceiro mandato.

Milhares de milhões de dólares em contas suíças e uma coleção de mais de mil sapatos

Nos 21 anos em que Ferdinand Marcos esteve no poder, o Presidente e a sua mulher tornaram-se famosos por acumularem milhares de milhões de dólares com fundos direcionados para contas bancárias na Suíça. Imelda, em particular, exibia um opulento estilo de vida enquanto o país se debatia com problemas como a pobreza e a agitação social.

Além de primeira-dama, foi ministra de 1976 a 1986 e governadora de Manila entre 1978 e 1984.

Quando em 1986 o exército e o povo filipinos se revoltaram contra o Presidente, a família fugiu para o Havai. A revolta aconteceu sem derramamento de sangue. Depois da fuga, a coleção de 1100 sapatos de Imelda foi exposta no palácio presidencial para mostrar a extensão das riquezas acumuladas durante a governação de Marcos.

Um histórico de condenações por corrupção sem nunca cumprir pena de prisão

Esta não é a primeira vez que a antiga primeira-dama enfrenta acusações de corrupção. Depois da morte do seu marido em Honolulu, em 1991 Imelda regressou a Manila mas, dois anos depois, seria considerada culpada em duas acusações de corrupção criminal e sentenciada a penas de prisão entre nove e 12 anos em cada acusação. Após um recurso, as condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal em 1998. A sua prisão foi novamente ordenada em 2009 por outras duas acusações de corrupção mas, mais uma vez, não cumpriu a pena, pagando uma fiança.

A dinastia Marcos ainda goza de grande poder político e influência nas Filipinas. O filho de Imelda, Ferdinand “Bongbong” Marcos Jr, perdeu por pouco a eleição para a vice-presidência em 2016, um resultado que ainda está a contestar. Ele é visto por muitos como o sucessor natural do Presidente Rodrigo Duterte.