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Internacional

Iémen. Batalha pelo porto vital de Hodeida intensifica-se com avanço das forças governamentais sobre rebeldes

AHMAD AL-BASHA/Getty Images

Mais de 150 pessoas morreram desde que, há uma semana, as tropas e as milícias fizeram escalar uma ofensiva terrestre na periferia da cidade. A escalada acontece depois de os EUA terem pedido o fim das hostilidades e o início das negociações de paz até ao fim de novembro. O conflito, que se intensificou em 2015, provocou a morte a mais de seis mil civis

A batalha pela cidade portuária de Hodeida, no Iémen, intensifica-se à medida que as forças governamentais, apoiadas por ataques aéreos da coligação militar saudita e dos Emirados Árabes Unidos, avançam sobre posições rebeldes. Segundo números citados pela BBC, mais de 150 pessoas morreram desde que, há uma semana, as tropas e as milícias fizeram escalar uma ofensiva terrestre na periferia da cidade.

O porto de Hodeida é vital para milhões de iemenitas em risco de fome. Cerca de 80% das provisões humanitárias, combustíveis e produtos comerciais são entregues através do porto. Autoridades das Nações Unidas têm alertado que o número de mortes pode ser catastrófico se o entreposto for danificado, destruído ou bloqueado.

A ofensiva em Hodeida começou em junho. A escalada dos combates na última semana acontece depois de os EUA – que, juntamente com o Reino Unido e França, fornecem apoio logístico e dos serviços de informação à coligação –terem pedido o fim das hostilidades e o início das negociações de paz até ao fim de novembro.

Save the Children exorta Conselho de Segurança a intervir pela paz

Só no sábado foram registados 200 ataques aéreos na cidade e arredores, tendo ainda havido intensos confrontos à volta do aeroporto, a leste de Hodeida, e perto de uma universidade, a oeste, segundo trabalhadores humanitários.

Esta quarta-feira, a organização não-governamental Save the Children afirmou-se “profundamente preocupada com o bem-estar dos civis presos dentro de Hodeida”, instando “as partes em conflito a pararem imediatamente as hostilidades e a procurarem uma solução política para este conflito brutal”. “O Conselho de Segurança da ONU deve tornar isto uma realidade”, acrescentou.

Já na terça-feira, a UNICEF tinha alertado que os combates estão “perigosamente próximos” do hospital de Al-Thawra, no sul da cidade, colocando 59 crianças, incluindo 25 nos cuidados intensivos, em risco iminente de morte.

O ministério dos Direitos Humanos, gerido por houthis, acusou a coligação de ter atacado silos de grão em Hodeida, onde dezenas de milhares de toneladas de trigo e farinha são armazenadas, e também estradas, pontes, fábricas e mercados locais. Por sua vez, a coligação acusa os houthis de usarem o porto para contrabandearem armas do seu aliado iraniano. Tanto o Irão como os rebeldes rejeitam a acusação.

Mais de seis mil civis mortos e mais de 10 mil feridos

O Iémen tem sido devastado por um conflito que se intensificou em 2015, quando países árabes intervieram depois de o movimento rebelde dos houthis ter assumido o controlo da quase totalidade da parte oeste do país e forçado o Presidente Abdrabbuh Mansour Hadi a fugir para o exterior.

De acordo com a ONU, pelo menos 6660 civis já foram mortos na guerra, que provocou 10560 feridos. Devido aos combates e a um bloqueio parcial da coligação, 22 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária. Os confrontos criaram também a maior emergência mundial em termos de segurança alimentar e levaram a um surto de cólera que afetou 1,1 milhões de pessoas.