Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Analistas sugerem que Pyongyang continua a desenvolver armas nucleares enquanto marca e desmarca reuniões

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, assiste ao lançamento de um míssil com capacidade nuclear, numa foto divulgada em setembro de 2017

KCNA / Reuters

Se para alguns a decisão da Coreia do Norte de cancelar o encontro com o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, marcado para esta quinta-feira, levantou dúvidas, para outros trouxe algumas certezas. “Tudo indica que a Coreia do Norte está a construir cada vez mais armas e a caminhar exatamente na direção oposta do que se pretendia”, diz um dos analistas ouvidos pela imprensa internacional

A Coreia do Norte decidiu cancelar as conversações com o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, agendadas para esta quinta-feira, e a decisão tem levantado muitas dúvidas. Para vários analistas e especialistas ouvidos pela United Press International, o cancelamento revela que Pyongyang continua a desenvolver o seu programa nuclear, ainda que calmamente.

Terence Roehrig, professor na área da segurança nacional no U.S. Naval War College, em Newport, em Rhode Island, diz-se “cético” em relação à possibilidade de a Coreia do Norte querer abandonar as suas armas nucleares e realça a inexistência de provas de que, de facto, o tenha feito. “Manter o programa nuclear não implica necessariamente fazer testes como o país fazia até agora”, diz ainda, mostrando-se pouco surpreendido com a ausência de progressos significativos no que toca à desnuclearização, até porque “nenhum acordo foi feito”.

O secretário de Estado norte-americano e chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, anunciou na terça-feira que o encontro agendado para esta quinta-feira com Kim Yong-chol, dirigente norte-coreano — que tinha como objetivo discutir os progressos no desarmamento norte-coreano e preparar uma nova cimeira entre Trump e o seu homólogo da Coreia do Norte — fora adiado. Em comunicado, a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert explicou que será marcada uma nova reunião assim que as “respetivas agendas o permitirem”. Dias antes, a Coreia do Norte avisara que poderá voltar a fortalecer o seu arsenal nuclear se os EUA não suspenderem as ações económicas contra o país.

Bruce Bennett, investigador do “think tank” norte-americano RAND Corporation, tem dúvidas de que os objetivos da Coreia do Norte se coadunem com os dos EUA e sublinha que as relações aparentemente pacíficas que Kim Jong Un mantém com Trump e com o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, dão-lhe espaço para fazer o que quiser. “[O líder norte-coreano] não abdicou ainda de uma única arma nuclear e um dos melhores indicadores da desnuclearização é precisamente o número de armas nucleares que o país tem”, diz o investigador, acrescentando que “tudo indica que a Coreia do Norte está a construir cada vez mais armas e a caminhar exatamente na direção oposta do que se pretendia”.

Na quarta-feira, durante uma conferência de imprensa pós-divulgação dos resultados das eleições intercalares, que deram a maioria na Câmara dos Representantes aos democratas e o controlo sobre o Senado aos republicanos, Donald Trump anunciou que planeia encontrar-se com Kim Jong Un no início de 2019. “Estamos muito contentes com os progressos feitos com a Coreia do Norte. Está a correr tudo bem. Não temos pressa. As sanções continuam em vigor”, afirmou o Presidente norte-americano. Nem aí, no entanto, Trump justificou o cancelamento do encontro marcado para esta quinta-feira.