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Ex-secretário do Tesouro norte-americano alerta para cortina de ferro económica

Bloomberg/Getty images

O responsável máximo pelo Tesouro dos EUA durante a administração de George W. Bush avisou que a guerra comercial entre Pequim e Washington está a "chegar a um ponto de não retorno", durante um discurso na conferência Bloomberg New Economy Forum, em Singapura

O antigo secretário do Tesouro norte-americano Henry Paulson advertiu para a perspetiva de uma "cortina de ferro económica" entre a China e os Estados Unidos, apelando a ambos que trabalhem para resolver as disputas comerciais.

O responsável máximo pelo Tesouro dos EUA durante a administração de George W. Bush avisou que a guerra comercial entre Pequim e Washington está a "chegar a um ponto de não retorno", durante um discurso na conferência Bloomberg New Economy Forum, em Singapura.

"A região [asiática] deve hoje estar preocupada com a transformação de uma competição estratégica saudável numa guerra fria em grande escala", disse Paulson, que era secretário do Tesouro quando implodiu a crise financeira global, em 2008.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegárias de até 25% sobre 250 mil milhões de dólares de importações oriundas da China. Pequim retaliou com taxas sobre bens importados dos EUA.

Em causa está a política de Pequim para o setor tecnológico, nomeadamente o plano "Made in China 2025", que visa transformar as firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Bruxelas ou Tóquio partilham das mesmas queixas.

O governo norte-americano acusa ainda Pequim de expansionismo militar, violação de liberdades civis e religiosas e até de interferência nas eleições norte-americanas, visando penalizar a administração de Donald Trump.

Henry Paulson disse que pôr em causa décadas de progresso nas relações comerciais entre a China e os Estados Unidos acarreta grandes impactos económicos.

"Temo que partes importantes da economia global estão a fechar-se ao comércio e investimento", disse.

"E agora vejo a perspetiva de uma cortina de ferro económica, que irá erguer novas barreiras em cada lado e romper com a economia mundial como a conhecemos", acrescentou.

Washington deu alguns sinais positivos, nas últimas semanas.

Trump disse no início do mês que teve uma "conversa muito boa" por telefone com o homólogo chinês, Xi Jinping, sobre questões comerciais e a Coreia do Norte.

O Departamento de Estado anunciou ainda conversações de alto nível com Pequim, sobre segurança, em Washington, para esta sexta-feira.

Henry Paulson prevê, ainda assim, "um longo inverno nas relações sino-norte-americanas".