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Eleições europeias. Líderes do centro direita escolhem candidato à Presidência da Comissão Europeia

DOMINIQUE FAGET/Getty

Rui Rio apoia o eurodeputado alemão Manfred Weber, que surge como o favorito para ser o candidato principal do Partido Popular Europeu às europeias. Na luta pelo apoio do centro-direita à presidência da Comissão Europeia está também o ex-primeiro-ministro da Finlândia Alexander Stubb. Assunção Cristas só anuncia esta quarta-feira qual dos dois prefere.

Rui Rio já está em na capital finlandesa e Assunção Cristas também. Os líderes do PSD e do CDS participam no Congresso do Partido Popular Europeu, que vai ditar quem será o candidato principal da maior família política europeia de centro direita às eleições de maio.

Há quatro anos, o eleito foi o luxemburguês Jean-Claude Juncker. Desta vez, a escolha é entre o líder do grupo parlamentar do PPE no Parlamento Europeu, Manfred Weber, e o vice-presidente do Banco Europeu de Investimento, Alexander Stubb.

O alemão parte claramente em vantagem. Conta com o apoio da chanceler alemã Angela Merkel e dos restantes chefes de Estado e de Governo do PPE, como o chanceler austríaco Sebastian Kurz ou o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán. O PP espanhol de Pablo Casado e o PSD de Rui Rio também estão oficialmente com ele.

No entanto, a votação será secreta e não votam apenas os líderes dos partidos, mas um total de 758 delegados de meia centena de partidos europeus. Não há disciplina de voto e por isso Stubb acredita que poderá ainda haver surpresas. Mas uma derrota de Weber poderia significar, também, mais uma derrota para Merkel que decidiu apoiar o eurodeputado da União Social Cristã (CSU) sua parceira habitual na Baviera e nas coligações governativas.

PSD com Weber, Cristas ainda não decidiu

O PSD tem 17 votos e o CDS tem cinco, mas Assunção Cristas ainda não anunciou quem terá o apoio dos democratas-cristãos portugueses. A líder dos centristas, que na semana passada esteve reunida com Alexander Stubb em Lisboa, e que também conhece Manfred Weber, estará à espera do debate entre ambos.

Até à semana passada não estava previsto qualquer frente-a-frente de ideias entre os dois candidatos às internas do PPE, apesar da insistência do finlandês. Mas o debate acabou por ser marcado para esta quarta-feira, durante o primeiro dia de Congresso. Vai começar às 19h30 de Helsínquia (17h30 em Lisboa).

Será a oportunidade para mostrarem em que é que se distinguem. O finlandês e o alemão têm personalidades bastantes distintas. Alexander Stubb é mais extrovertido e eloquente. Manfred Weber é mais discreto e contido. Ambos têm aproveitado as últimas semanas para explicar como antecipam o futuro da Europa.

O finlandês tem apontado ao digital, às questões ambientais e ao desafio das migrações. O alemão quer acabar com a dicotomia norte/sul, ultrapassar a abordagem de gestão de crises e tornar a União Europeia num gigante político na cena internacional. No entanto, na substância e na forma de lidar com os problemas estão também bastante próximos, ou não pertencessem à mesma família política europeia.

Nada está ganho

Em 2014, no Congresso do PPE em Dublin, o luxemburguês Jean-Claude Juncker venceu o francês Michel Barnier - que é atualmente o chefe europeu das negociações para o Brexit - e acabou por vir a ser nomeado e eleito Presidente da Comissão Europeia, após a vitória do PPE nas europeias de 2014.

O Parlamento Europeu e várias famílias políticas querem agora repetir a fórmula que faz do cabeça de lista do grupo parlamentar vencedor o chefe do executivo comunitário, à semelhança do que acontece nas eleições legislativas de muitos países.

No entanto, a escolha do nome do Presidente da Comissão Europeia cabe aos Chefes de Estado e de Governo. É isso que diz o Tratado de Lisboa. É certo que os líderes têm de ter em conta os resultados das eleições europeias, mas nada os obriga a nomear o candidato principal (ou spitzenkandidat) do partido mais votado, para ser depois eleito pelo Parlamento Europeu.

Vários analistas apontam para uma maior fragmentação do Parlamento Europeu após as próximas europeias, com possibilidade de uma maior presença de forças eurocéticas. Se não houver uma maioria clara, serão necessárias alianças que tornam o processo de escolha do Presidente da Comissão Europeia também mais complexo.

Para já, as maiores famílias políticas preferem avançar um rosto, tentando influenciar o processo.

Esta segunda-feira, os Socialistas europeus anunciaram que o holandês Frans Timmermans - que é atualmente o primeiro vice-presidente da Comissão Europeia - será o seu candidato único. O eslovaco Maroš Šefčovič - que é também Comissário - acabou por recuar na intenção de concorrer a cabeça de lista dos Sociais & Democratas, que têm Congresso marcado para dezembro em Lisboa.

A votação do PPE está marcada para quinta-feira de manhã.

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