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Internacional

Presidente dos Camarões toma posse pela sétima vez e em clima de tensão

Paul Biya, Presidente dos Camarões

BERTRAND GUAY/AFP/Getty Images

Paul Biya é Presidente há 36 anos, tendo sido reeleito em outubro com 71,28% dos votos. O adversário Maurice Kamto, que reivindica a vitória nas presidenciais, instou os seus apoiantes a resistirem através de ações pacíficas. Várias manifestações estão marcadas nos Camarões e no exterior mas, na capital, a ordem é para reprimir qualquer indício de protesto

O Presidente dos Camarões, Paul Biya, toma posse esta terça-feira como chefe de Estado pela sétima vez. Há 43 anos no poder, como primeiro-ministro entre 1975 e 1982 e, desde então, como Presidente, Biya é empossado num clima de tensão. Na segunda-feira, cerca de 80 pessoas, incluindo 79 estudantes, foram sequestradas na região anglófona do país atingida por conflitos armados.

O presidente da câmara de Iandué, a capital, pediu aos moradores e aos grupos de dança que saíssem em massa para ovacionar o Presidente ao longo do caminho que ele fará até à Assembleia Nacional, onde a cerimónia terá lugar. Temendo eventuais distúrbios durante a tomada de posse de Biya, reeleito em outubro com 71,28% dos votos, fortes contingentes da polícia foram destacados em várias áreas da capital e noutras cidades.

O adversário Maurice Kamto, que reivindica a vitória nas presidenciais, instou os seus apoiantes a resistirem através de ações pacíficas. Várias manifestações estão marcadas para esta terça-feira nos Camarões e no exterior. Mas, na capital do país, a ordem é para reprimir qualquer indício de protesto.

Confrontos entre exército e separatistas e entre duas línguas

No domingo, 38 militantes do Movimento para o Renascimento dos Camarões, o partido de Kamto, foram presos enquanto participavam numa marcha pacífica contra o Presidente. Mais de 60 outros já tinham sido presos em Duala, no sul do país, e na capital.

Desde o anúncio da reeleição de Biya, a 7 de outubro, o clima político deteriorou-se, com dezenas de adversários presos. Nas duas regiões anglófonas do noroeste e sudoeste dos Camarões, já uma crise sociopolítica sem precedentes se havia instalado no final de 2016, transformando-se em 2017 num conflito armado.

Os confrontos entre o exército e os separatistas, divididos em grupos dispersos na floresta equatorial, têm ocorrido naquelas zonas quase numa base diária há vários meses. Os separatistas declararam um boicote às escolas, defendendo que o sistema escolar francês marginaliza os estudantes de língua inglesa.