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O New York Times criou um chat para um jornalista e ele foi obrigado a ser “brutalmente honesto” acerca do que não sabe

Pela primeira vez, a ferramenta principal de Alex Burns para acompanhar umas eleições - no caso as intercalares dos EUA - é um telemóvel. O “New York Times” desenvolveu um chat na sua aplicação para colocar em contacto o repórter com os seus leitores. Burns explica ao Expresso que a partilha interativa de informação pode trazer novos públicos aos jornais e aprendeu que, muitas vezes, não sabe nada sobre o que as pessoas lhe perguntam. É o fim voluntário do mito da infalibilidade jornalística?

Ana França

Ana França

Jornalista

Quando o Expresso ligou, Alex Burns, redator principal de política do “New York Times”, estava a passear por Sheboygan, no estado do Wisconsin. Não é uma importante capital estadual mas Burns anda à procura daquela história, daquele indicador, daquele ‘feeling’ que o ajude a explicar aos leitores do “Times” para que lado vai pender a América depois destas intercalares, que decorrem esta terça-feira. O acompanhamento jornalístico que o “Times” lhe encomendou para a reta final destas eleições difere um pouco da forma como, durante dez anos, foi fazendo o seu trabalho. Desta vez anda com um telemóvel na mão, a falar em tempo real e em janelas de diálogo - como as do Messenger ou o Whatsapp - com os subscritores do serviço ‘The Campaign Reporter’, incluído na app oficial do jornal. Podemos fazer-lhe perguntas diretamente e nem todas são sobre política. E ele também não responde só com texto: há pequenos vídeos, fotografias de grafitis antiTrump e de bolos de aniversário feitos por apoiantes de Scott Walker, atual governador republicano do estado de Wisconsin.

Como é que surgiu esta ideia?
O Times tem tentado encontrar várias formas, novas formas, de chegar aos seus vários públicos, de forma interativa. Isto já foi tentado nos Jogos Olímpicos e para os leitores que estavam mesmo muito focados no evento foi uma experiência muito porreira, poder perguntar coisas diretamente, interagir dessa forma com quem estava a acompanhar a ação toda no terreno. Isto é um pouco mais longo - estamos há cinco semanas a fazer isto, é bastante tempo. Além disso, uma eleição destas é um pouco mais complexa do que uns Olímpicos e, em muitos aspetos, também mais controversa, com mais nuances ideológicas.

E as pessoas têm reagido bem?
Não sabíamos bem que adesão teríamos dos leitores ou se conseguiríamos manter o seu interesse consistente ao longo desse período. E sim, há um grande interesse nesta ferramenta e, garantidamente, o interesse das pessoas nestas eleições não abrandou de todo neste último mês.

Esta ferramenta será uma coisa a pensar para a cobertura das presidenciais em 2020?
Penso que sim, mas serão os meus chefes a decidir. Mas sim, é visto como uma ferramenta com bastante sucesso, quando o assunto é chegar a mais pessoas. Nós aceitamos perguntas dos leitores e damos-lhes uma experiência mais imediata do que aquela que normalmente têm ao consultar uma página com artigos ‘tradicionais’.

O que é que o motiva a fazer este tipo de acompanhamento mais informal de uma eleição?
É uma enorme oportunidade para mostrar às pessoas como é que realmente se faz jornalismo político. A experiência que muitas pessoas têm de consumo de notícias é através da televisão ou das redes sociais e nem sempre têm a oportunidade de ver como é que as coisas se fazem em meios mais tradicionais.

Está sempre sozinho?

Há uma equipa que trabalha só em formas interativas de levar notícias às pessoas. Eu de certo não saberia como fazer isso, do ponto de vista técnico, sozinho. Mas sim, estou sozinho no terreno, quase sempre sozinho nas minhas viagens pelo país.

E o que é que essa experiência, pessoalmente, lhe trouxe?
É muito mais trabalho, ocupo muito mais tempo agora com o meu trabalho do que se estivesse na redação. É um projeto exigente na medida em que, se estiveres mesmo interessado em responder com coerência e empenho ao que as pessoas te perguntam, tens de estar quase sempre a ler, a investigar, a fazer perguntas a terceiros para dares respostas aos leitores. É como escrever uma série de miniartigos todos os dias. Tem sido muito interessante ver a aparecer diretamente no ecrã do meu telemóvel os interesses dos nossos leitores. É interessante a nível nacional mas também o é a nível estadual. Se eu enviar uma mensagem a dizer que estou a caminho do Novo México ou do Wisconsin, perguntam coisas sobre eleições que não me passaria pela cabeça cobrir.

Como é que se prepara para esses momentos? É um país gigante com centenas de distritos atualmente a serem disputados, com realidades, rendimentos, nacionalidades distintas… e se alguém lhe pergunta sobre o abastecimento de água num subúrbio no Colorado?
Uma parte muito interessante deste trabalho é que me obrigou a ser brutalmente honesto acerca daquilo que eu não sei. Quando eu fui ao Novo México, várias pessoas fizeram-me perguntas sobre uma eleição para um posto estadual bastante obscuro, o de ‘land commissioner’[a pessoa que vai atribuir mais de nove milhões de hectares de terra para vários tipos de exploração energética]. Só que no Novo México este posto é importantíssimo. Mas eu não sabia nada sobre aquilo. E não tenho de fingir que sei e tive de dizê-lo numa mensagem. E eu sinto-me mal com o facto de que isso possa ser uma desilusão para quem me lê, uma desilusão com o Times, mas não posso fingir que sou especializado naquilo que não sou.

E não o preocupa que as pessoas se apercebem que, afinal, os repórteres do Times não sabem tudo? Como é lidar com essa “permanente potencial” desilusão?
[Risos] Sim, é verdade, os repórteres do Times não sabem tudo mas é muito interessante pensar nesse lado das coisas. Se fores jornalista num meio de comunicação mais tradicional, consumido em massa como é o caso do Times, as pessoas querem ver-te como uma autoridade, como uma instituição assente no conhecimento dos seus jornalistas, mas há uma vantagem, penso eu, em ser franco com os leitores sobre as áreas de conhecimento nas quais somos mesmo bons.

Pode dar-nos um exemplo?
Nós temos muitas perguntas, um número gigante de perguntas sobre as leis que regulam o voto em cada estado. É diferente em todos. Há alguns estados onde eu sei alguma coisa sobre as controvérsias à volta das leis eleitorais. A Geórgia é um exemplo porque a corrida a governador lá é muito importante, tal como o é na Florida. Eu posso falar das leis eleitorais desses dois estados mas continuo a não ser um constitucionalista estadual. Por isso, se me vão perguntar qual será o resultado de um ou outro julgamento atualmente a decorrer sobre lei eleitoral, eu não vou saber. E também nem me vou preocupar em fingir que sei falar desse tema! [risos]

Florida e Geórgia: estava a falar de dois estados que, neste momento, são os chamados “swingers”. Do seu trabalho no terreno ao longo destas cinco semanas, qual é a perceção que tem de como é que esta eleição pode correr para os democratas?
Há muito mais energia do lado democrata. Na grande maioria dos locais onde estive é essa a realidade, mesmo que não estejam à frente nas sondagens. Mais energia do que em qualquer outra eleição que eu tenha acompanhado nos últimos dez anos - exceção feita às presidenciais de 2008 [que elegeram Barack Obama]. Nunca vi umas intercalares destas.

O que é que viu que o faz dizer isso dessa forma tão enfática?
Bom, falei mesmo com muitas pessoas em eventos democratas que estão ali como voluntários e com muita gente que decidiu este ano contribuir com dinheiro para as campanhas do seu distrito. Estou a falar do cidadão comum, não de grandes empresas ou multimilionários que financiam sempre ou um lado ou outro. E todos me dizem que nunca tinham feito nada disto antes. Estive no Geórgia há duas semanas e falei com um jovem que estava a caminho de um evento da Stacey Abrams com a sua mãe e ele disse que nunca tinha prestado atenção à política mas que esta era uma eleição mesmo muito importante. E, como ele, centenas.

Mas não estamos de novo só a tomar a parte pelo todo, como em 2016?
Não sei, mas não creio que isto seja só aquela caricatura, aquela exceção do miúdo que se interessou por política. Não é uma extrapolação porque se vê consistentemente nas sondagens, vê-se no dinheiro que está a entrar nos cofres democratas a nível nacional e vê-se no registo de voto e na participação cívica. Não há qualquer dúvida, do meu ponto de vista, de que há de facto uma nova vida na esquerda norte-americana.

É interessante isso, essa questão dos financiadores individuais, talvez a mais surpreendente, pelo menos aqui que só ouvimos falar de doações gigantescas, para um lado ou para outro, na altura das presidenciais.
Exato! É raro uma pessoa dar assim dinheiro, uma pessoa a título pessoal, e muito mais raro é quando isso acontece não numa eleição presidencial mas numas intercalares. Não é nada normal as pessoas darem dinheiro para uma eleição para eleger deputados no Congresso. Se alguém segue política apenas pela televisão e não está muito envolvido, vai dar 25 dólares a um candidato a presidente - que é uma coisa poderosa. E este ano não é isso que se passa. Estamos a ver candidatos com contas de campanha na ordem dos milhões de dólares, a grande maioria conseguida através da internet, em locais aos quais normalmente ninguém presta grande atenção.

Na “mensagem” de promoção deste chat na página do “New York Times” lê-se qualquer coisa do género: “Olá, sou o Alex Burns do New York Times e hoje estou em Salt Lake City. A Mia Love pode ser a primeira mulher negra republicana no Congresso. Há alguma coisa que gostasse que eu lhe perguntasse?” Quantas vezes consegue de facto colocar a um candidato as perguntas que os leitores lhe fazem?
Não é muito comum, não. Se tivesse começado com a preparação antes, talvez há seis meses, possivelmente hoje teria mais entrevistas marcadas para estas alturas, havia muito mais acesso aos candidatos, mas no fim de outubro fica muito complicado mesmo. Se eu tivesse pedido uma entrevista, por exemplo, com a Stacey Abrams, na Geórgia, ou com o Andrew Gillum, na Florida, há seis meses, com certeza que a teria conseguido. Não é uma crítica, é assim que acontece nas campanhas todas.

Então o projeto foi assim uma espécie de ideia de última hora?
Não, foi pensado com tempo mas a estrutura tecnológica demora um tempo a montar. Começaram a falar comigo em agosto, mas também ter começado aí não teria sido o melhor. Podia ter andado por muito mais sítios e falar com muito mais candidatos mas ninguém queria saber das intercalares aí, nem sequer as primárias tinham acabado.

Sabe quantos subscritores tem?
Não creio que possa revelar isso.

E sabe se as suas histórias são mais lidas em formato “tradicional” no site ou se esse modelo de pequenos textos mais curtos tem mais leitores?
Essa informação não tenho mesmo, não é não poder revelar. Mas posso dizer isto: uma parte do que me levou a aceitar fazer isto é que as pessoas que preferem ler histórias mais convencionais têm muitas oportunidades de o fazer no Times mas as outras, as muitas outras no mundo de hoje que preferem distribuir a sua atenção por vários canais, não têm muitas hipóteses de consumir jornalismo político de outras formas. Há pessoas que não querem ler 14 mil palavras. Uma das coisas que mais me pôs ‘no meu lugar’ durante esta experiência foi aperceber-me que muitas vezes eu recebo perguntas de pessoas sobre coisas que eu publiquei na página do Times há 20 minutos. Eles não estão a reagir à minha história quando me escrevem, eles não a leram, é tão simples quanto isso. E isto são pessoas que gostam de notícias e estão a par das coisas - de outra forma não teriam subscrito o serviço. Não é uma questão daquelas simplistas tipo ‘os leitores são ignorantes’. Não. Os leitores querem notícias num formato diferente.

Essa é também uma forma de chegar a quem, não sendo ignorante, como nos disse, talvez possa não estar tão atento às notícias fornecidas de forma “normal” mas esteja interessado em consumi-las se forem “entregues” dessa forma. Estava a pensar nos jovens que passam a vida em aplicações de troca de mensagens.
Espero que sim, espero mesmo que sim, que chegue a outras demografias, mas não tenho muita informação sobre o perfil de pessoas que subscreveram o serviço. Mas todos nós sabemos que há cada vez menos gente a ler notícias em meios tradicionais e mais pessoas a ler quase tudo nos telefones. Se há formas de tornar as notícias atrativas no telemóvel, é por aqui que a indústria tem de ir também.

Como é que filtra as perguntas?
Há uma equipa que está comigo neste projeto que avalia a pertinência de cada pergunta e que vê as respostas comigo, se estão factualmente prontas a seguir para os nossos leitores. Escolhemos perguntas que estejam o mais relacionadas possível com as reportagens que estou a fazer naquele momento, como o sítio onde estou. O que não queremos dar às pessoas é o que elas já podem ver na televisão. Se alguém está a ver alguma coisa na televisão que os enerva e eu não tenho qualquer resposta original para aquele assunto, se não tenho algo meu que eu tenha descoberto sobre aquele tema, então não respondemos.

Nesse caso, envia, por exemplo, a hiperligação para uma história que o “Times” tenha feito?
Às vezes, sim. Se as pessoas perguntarem coisas para as quais eu não estou preparado e se alguém na nossa página tiver acompanhado esse assunto, eu digo para irem lá.

Qual é para si a mais-valia deste serviço: estar sempre no terreno, estar sempre acessível, estar sempre em movimento?
É estar com o telemóvel sempre disponível para responder a perguntas e poder estar próximo dos candidatos, dos apoiantes, das fontes mais diretas e enviar isso logo para as pessoas.

E pessoalmente, como jornalista, o que é que aprendeu?
Aprendi muito sobre o que as pessoas realmente consideram fascinante sobre as eleições, que não é necessariamente aquilo que eu acho interessante. Eu estou muito focado, este ano, na corrida para a Câmara dos Representantes. Porque é aqui que de facto pode acontecer o terramoto. Os leitores estão interessados na Câmara, sim, mas também estão a seguir muito de perto outras disputas mais pessoais, mais focadas nas grandes personalidades, como é o caso da batalha por senador do Texas, entre Ted Cruz e Beto O’Rourke. Acho que essa corrida tem tido mesmo muita atenção dos meios de comunicação social e então eu, à partida, não sinto que possa acrescentar muito mas os leitores querem mesmo saber mais e não há peças suficientes que os saciem neste tema. Há uma espécie de peso em cima de repórteres como eu para responder a essas solicitações e não achar que os nossos interesses são mais importantes. Nós fazemos isto para os leitores, por isso temos de mostrar que estamos interessados no seu esclarecimento. Não interessa que eu esteja mais focado na Câmara.

Uma das histórias que escreveu com base nas viagens que tem feito, muitas delas fora das capitais dos estados, falava de um fenómeno que ainda não foi muito discutido: o facto de que alguns conservadores mais jovens, com dinheiro mas maioritariamente brancos, se estão a afastar dos republicanos porque os valores de Donald Trump são demasiado ‘fechados’. Isto é mesmo um fator que possa influenciar os resultados?
Ainda bem que falas disso. Sim, é sim. Um de três. É uma dinâmica muito interessante. Há muitas pessoas que têm educação superior, mais moderadas e normalmente não são parte de uma minoria étnica e que estão a afastar-se do presidente. Há dois anos que andamos a observar isto, fora do período de campanha. Por exemplo, nas eleições especiais, quando alguém se demite ou morre, ou para cargos menos importantes a nível nacional que não têm tantas luzes em cima, notamos isso. Dois exemplos são os estados da Virginia e New Jersey: há muitas comunidades que, historicamente, votam nos republicanos porque concordam com as suas políticas fiscais e outras questões económicas e estão a votar nos democratas porque não toleram o Trump. Acontece mais com as mulheres mas também com homens.

E o que é que eles não gostam no Trump exatamente?
Bom, as coligações políticas envolvem sempre algum nível de compromisso. Os eleitores têm de aceitar ideias das quais não gostam porque, como um todo, o partido está mais de acordo com os seus valores. Estive nos subúrbios de Filadélfia na semana passada e hoje estou nas periferias das cidades de Wisconsin e reparei que as pessoas com educação superior e brancas apreciam as ideias dos republicanos na economia mas - e isto já vem de há muito tempo - têm problemas com o partido em departamentos como a posse de armas, os direitos dos homossexuais, o aborto e às vezes a forma como os republicanos definem segurança nacional. Estas pessoas já estavam mais ou menos a lutar contra si próprias ao aceitar os republicanos mas chega o Trump e a balança desequilibra-se. Ele fez destes valores conservadores, que muitos eleitores republicanos já não partilham com ele, as suas bandeiras principais. Além disso, muda a política económica metendo-se em guerras comerciais e em decisões polémicas sobre fornecimento de energia.

Esta é uma dinâmica que pode levar a noite eleitoral para o lado dos democratas, mas disse que havia pelo menos mais duas. Quais são?
Um deles é a mobilização extremamente visível de grupos sociais tradicionalmente democratas que normalmente não se envolvem em eleições para o Congresso. Os africanos-americanos e as pessoas mais novas são dois exemplos de grupos que votariam nos democratas mas que normalmente se mantêm afastados das intercalares. Se virmos um estado que é tradicionalmente republicano como a Florida passar para o lado dos democratas vai ser porque os tais brancos com educação superior já não conseguem justificar votar nos republicanos e porque as minorias saíram em massa para votar nos democratas. Tudo isto é sobre o Trump e os candidatos que os democratas escolheram, que são muito novos, há muitas mulheres, há muitas minorias. Isso inspirou muito a esquerda.

E a terceira?
Diria que é a total inabilidade dos democratas em penetrar na América rural. É possível, ou até provável, que os democratas tenham uma noite muito, muito boa em áreas urbanas, nos subúrbios, e até talvez em zonas circundantes aos subúrbios, mas nos meios rurais não devem subir quase nada - estas são zonas de pessoas mais pobres, brancos, totalmente leais a Trump na maioria. E isso terá grandes consequências no Senado, mesmo que não tenham uma influência assim tão grande na Câmara.

A que corridas estará mais atento na terça-feira à noite?
Aquelas em que estou mesmo focado são as que ficam na costa leste: se começarmos a ver ganhos democratas sérios em estados como a Virgínia, New Jersey ou Florida, então vamos saber para onde nos encaminhamos. Há duas corridas que eu acho particularmente interessantes. Uma delas é a de governador em Ohio, é historicamente um estado muito dividido e parece estar a mover-se na direção dos republicanos. É uma boa corrida para entender se os democratas ainda têm aqui raízes, se ainda podem ter esperanças aqui para 2020. Todas as disputas para governador no ‘midwest’ são muito interessantes - Wisconsin, Michigan, Ohio - e vão dizer-nos se Trump de facto está a ganhar o jogo que começou ou se o baloiço está a voltar para os democratas. Há uma outra luta, no sul do Novo México, que é uma zona muito conservadora mas com muitos latinos. Para mim, esta zona e a corrida ao Senado no Arizona são excelentes indicadores para entender para onde se encaminha o sudoeste dos Estados Unidos.

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