Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

China vai a exame na ONU. Detenção em massa de uigures e repressão de liberdades fazem parte da matéria

Sob o olhar de sucessivos líderes chineses, um homem de etnia uigur trabalha, numa padaria da cidade velha de Kashgar, província de Xinjiang

Kevin Frayer / Getty Images

Trata-se do Exame Periódico Universal, ao qual todos os 193 membros da ONU se devem submeter aproximadamente a cada quatro anos. Durante a sessão, diplomatas de todo o mundo têm a oportunidade de levantar questões e fazer recomendações. Cerca de um milhão de uigures e outras minorias muçulmanas são mantidos em detenção extrajudicial

A detenção em massa de uigures e a repressão das liberdades civis deverão estar no topo da agenda, esta terça-feira, quando os países membros da ONU se reunirem em Genebra para analisar o registo de direitos humanos na China.

Cerca de um milhão de uigures e outras minorias muçulmanas são mantidos em detenção extrajudicial na região de Xinjiang, no extremo ocidental do país, segundo estimativas de um painel independente das Nações Unidas. Ativistas de direitos humanos consideram que os centros onde os uigures se encontram são campos de reeducação política. Elementos de minorias muçulmanas são detidos por alegadas transgressões como usar barbas longas ou véus, acusam.

O chamado Exame Periódico Universal, ao qual todos os 193 membros da ONU se devem submeter aproximadamente a cada quatro anos, começará com a apresentação pela China de um relatório sobre a sua situação de direitos humanos e as mudanças feitas desde a última vez que o país esteve em destaque, em 2013. Durante a sessão, diplomatas de todo o mundo têm a oportunidade de levantar questões e fazer recomendações para eventuais mudanças.

Não criticar será encorajar a China e enfraquecer a ONU, diz Human Rights Watch

Os Estados-membros das Nações Unidas “devem enviar uma mensagem inequívoca ao Governo chinês de que a sua campanha de repressão sistemática na região autónoma de Xinjiang, incluindo a detenção arbitrária de até um milhão de pessoas, tem de acabar”, disse Patrick Poon, da Amnistia Internacional, em comunicado.

Já o diretor da Human Rights Watch (HRW) em Genebra, John Fisher, lembrou que “todos os Estados-membros da ONU têm a mesma oportunidade para pressionar a China pelo seu flagrante registo de direitos humanos e não devem desperdiçá-la”. “Os Governos que não aproveitem esta oportunidade para se manifestar encorajam a China, enfraquecem as Nações Unidas e desmoralizam os ativistas que lutam em todo o mundo para responsabilizar Pequim”, acrescentou, em comunicado.

Além da situação em Xinjiang, a China também estará sob escrutínio por causa de outros aspetos do seu histórico de direitos humanos, incluindo a dramática repressão às liberdades civis e religiosas desde que o Presidente Xi Jinping assumiu o poder em 2012.