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Sanções “mais duras de sempre” chegam ao Irão na véspera das eleições para o Congresso americano

Majid Saeedi/Getty Images

O regresso das sanções surge na sequência da retirada dos EUA do acordo de 2015, que tinha como objetivo conter as ambições nucleares de Teerão em troca do alívio das sanções. “A América queria reduzir a zero as vendas de petróleo do Irão mas nós continuaremos a vender o nosso petróleo para romper as sanções”, afirmou o Presidente iraniano

Os EUA aplicaram esta segunda-feira as sanções “mais duras de sempre” contra o Irão, enquanto milhares de iranianos entoaram cânticos de “morte à América”. As forças armadas iranianas também programaram simulações de defesa aérea para estas segunda e terça-feira para mostrar as capacidades do país.

“As sanções contra o Irão são muito fortes. São as sanções mais fortes que alguma vez impusemos. E veremos o que acontece ao Irão mas eles não estão muito bem, isso posso dizer-vos”, afirmou o Presidente dos EUA, Donald Trump, antes de partir para uma ação de campanha para as eleições de terça-feira para o Congresso americano.

O regresso das sanções ao Irão surge na sequência da retirada dos EUA em maio do acordo multilateral de 2015, que tinha como objetivo conter as ambições nucleares de Teerão em troca do alívio das sanções. Washington diz que também pretende parar com o que apelida de atividades “malignas” do Irão, incluindo ataques cibernéticos, testes de mísseis balísticos e apoio a grupos de terroristas e milícias no Médio Oriente.

Presidente do Irão promete “romper as sanções”

“Estamos a trabalhar diligentemente para garantir apoio ao povo iraniano e direcionar a nossa atividade para assegurar que o comportamento maligno da República Islâmica do Irão seja alterado”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, em entrevista à Fox News. “Esse é o objetivo, essa é a missão, e é isso que vamos alcançar em nome do Presidente,” acrescentou.

O Presidente do Irão, Hassan Rouhani, prometeu esta segunda-feira romper as sanções impostas aos sectores bancário e energético de Teerão. “A América queria reduzir a zero as vendas de petróleo do Irão mas nós continuaremos a vender o nosso petróleo para romper as sanções”, afirmou o chefe de Estado perante economistas num encontro transmitido em direto pela televisão estatal.

Os EUA têm vindo a reinstituir gradualmente as sanções contra o Irão mas os analistas dizem que a mais recente ronda é de longe a mais significativa. Mais de 700 indivíduos, entidades, navios e aviões integram agora a lista de sanções, incluindo grandes bancos, exportadores de petróleo e empresas portuárias. Segundo Pompeo, mais de 100 grandes empresas internacionais já saíram do Irão por causa das sanções iminentes e as exportações iranianas de petróleo caíram quase um milhão de barris por dia, sufocando a principal fonte de financiamento do país.

Países europeus tentam contornar sanções

Também a rede Swift, com sede em Bruxelas, usada para fazer pagamentos internacionais, deverá cortar os laços com as instituições iranianas, isolando Teerão do sistema financeiro internacional.

A Alemanha, a França e o Reino Unido, que se opõem às sanções e continuam comprometidos com o acordo nuclear, prometem apoiar empresas europeias que fazem “negócios legítimos” com o Irão e criaram um mecanismo de pagamento alternativo que ajudará as empresas a negociar sem enfrentarem as penalizações dos EUA. Contudo, os analistas duvidam que isto diminua significativamente o impacto das sanções.

A Administração Trump concedeu isenções a oito países que podem continuar a importar petróleo iraniano, sem, no entanto, os enunciar. China, Índia, Coreia do Sul, Japão e Turquia deverão estar entre esses países.

As sanções americanas foram programadas para coincidir com o aniversário do cerco à embaixada dos EUA em Teerão a 4 de novembro de 1979. Durante 444 dias, 52 americanos ficaram reféns na embaixada, tendo os dois países ficado inimigos desde então. As sanções também são aplicadas na véspera das eleições para o Congresso americano.