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Filhos de Khashoggi já falaram com as autoridades sauditas para pedir a entrega do corpo do pai

reuters

A história do assassínio de Jamal Khashoggi ainda não terminou. Os pormenores que chegam à imprensa turca são cada vez mais arrepiantes e como o corpo ainda não apareceu, os famíiliares dizem-se impossibilitados de começar o luto. Os filhos do jornalista saudita desaparecido há mais de um mês pedem que Jamal seja entregue para poder ser enterrado junto dos seus antepassados

Os filhos de Jamal Khashoggi, o jornalista assassinado no consulado saudita em Istambul no início de outubro, querem o regresso do corpo do pai à Arábia Saudita para o poderem enterrar em Medina. Numa entrevista à CNN, Salah e Abdullah Khashoggi disseram que a família está “impedida de fazer o luto” e de “começar a lidar com o peso da perda”, porque o corpo de Jamal ainda não foi encontrado.

"Não é de todo uma situação normal, não é uma morte natural de todo. Tudo o que queremos é poder enterrá-lo no cemitério de Al-Baqi, em Medina, com o resto da sua família. Já falamos com as autoridades sauditas e espero mesmo que isso aconteça em breve”, disse Salah Khashoggi, um dos filhos.

Já passou um mês desde o dia em que o jornalista, crítico da atuação do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, desapareceu no consulado saudita em Istambul onde tinha ido pedir os documentos necessários para se casar. Desde aí, a cascata de notícias contraditórias por parte das autoridades turcas e das autoridades sauditas têm deixado toda a gente presa à história que parece quase um conto policial – e com detalhes bastante mórbidos.

A última versão da história é contada pelo jornal “Sabah”, conotado com o regime do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan,e citada pela agência Reuters. Segundo uma notícia publicada no domingo, o corpo de Jamal Khashoggi terá sido desmembrado e posteriormente colocado em cinco malas. Isto depois de Khashoggi ter sido estrangulado pouco depois de ter entrado na embaixada da Arábia Saudita.

O diário, que cita fontes das autoridades turcas, escreve que as malas terão sido levadas para a residência do embaixador saudita no próprio dia em que Jamal desapareceu – a 2 de outubro. Já esta segunda-feira, o mesmo jornal escreve que a polícia turca tem provas que indicam que a equipa enviada da Arábia Saudita para ajudar os investigadores turcos a resolver o homicídio, de facto foi apenas enviada para limpar o consulado de qualquer indício de crime.

Entretanto, o presidente da Comissão para os Direitos Humanos da Arábia Saudita, Bandar bin Mohammed al-Aiban, disse nas Nações Unidas que o seu país “lamenta e chora” a morte do jornalista e garantiu que os monarcas sauditas já aprovaram a abertura de uma investigação para “trazer os perpetradores à justiça e entregar ao público os factos”.

A Arábia Saudita já admitiu que o homicídio foi premeditado mas nunca que a família real o teria encomendado ou autorizado. O reino é um dos países do mundo que menos liberdades políticas e civis permite aos seus cidadãos, e onde a pena de morte é uma forma comum de castigo.