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157 dias, 37 picadas de alforreca e 2.882 quilómetros: Ross Edgley, o homem que acaba de nadar como nenhum outro na História

Acaba de bater um recorde. Na hora de celebrar, fê-lo com humor: “Saí da água e pensei ‘isto vai ser incrível, vou correr como no Baywatch’”

157 dias, 37 picadas de alforreca e 2.882 quilómetros depois, Ross Edgley cumpriu o desafio e tornou-se o primeiro homem a conseguir circum-navegar (rodear) o Reino Unido a nado. O feito foi alcançado no domingo, depois de o nadador de 33 anos alcançar terra firme em Margate, uma localidade situada no condado de Kent, a mesma de onde partiu no dia 1 de junho.

A alegria de Edgley foi partilhada pelas várias centenas de pessoas que o quiseram ver chegar, tendo inclusivamente sido acompanhado por cerca de 300 nadadores na última etapa do percurso. No céu, um coração desenhado por dois aviões foi a forma de a empresa que o patrocinou, a Red Bull, lhe dar as boas-vindas.

Não foi uma odisseia fácil, mesmo para um atleta preparado. Ross Edgley teve de nadar, em média, 12 horas por dia, o que incluiu fazer percursos noturnos, enfrentando as ondas, a água gelada e, em muitas ocasiões, mau tempo.

“Houve momentos em que me senti muito sozinho, mas chegar agora e ver toda a gente é incrível. Sinto-me muito agradecido”, partilhou com os jornalistas. “Saí da água e pensei ‘isto vai ser incrível, vou correr como no Baywatch’. Só que na verdade estou um bocadinho gordinho, sou peludo, e tinha uma bóia de reboque cor-de-rosa. Já fiquei aliviado por não ter caído completamente quando pisei a areia”, brincou, citado pelo “The Guardian”.

Nadar com uma alforreca agarrada à cara

O nadador estima ter comido 600 bananas ao longo da viagem, além de muitas ​​pizzas, massa e arroz doce e terá queimado perto de 500 mil calorias. O pior, afirma, foram as picadas das alforrecas e as “dores agudas” provocadas.

“Sobretudo as que aconteceram de noite”, recordou, “muitas vezes sem sequer perceber que tipo de alforrecas eram”. Numa das ocasiões teve mesmo uma agarrada à cara, presa nos óculos.

Esta foi uma aventura maior que o previsto, contou. Inicialmente, este já recordista - em 2016 realizou a maior escalada com corda alguma vez conseguida - tinha como meta quebrar o recorde de maior permanência no mar, o que conseguiu em agosto. Mas depois de ser desafiado por um elemento dos Royal Marine, percebeu que destronar Benoit Lecomte (o anterior recordista, que em 1998 nadou 73 dias no Oceano Atlântico) não seria o suficiente.

“‘Contorna o Reino Unido a nado’, disse-me ele, e a ideia soou-me bem.”

Ao longo das 23 semanas que passou no mar, Edgley dormiu e comeu num catamarã, onde estavam os três homens que formaram a sua equipa de apoio.

No canal de Bristol teve o prazer de ter uma baleia a nadar ao seu lado durante algum tempo, mas também lhe ficam as más recordações das muitas feridas causadas pelo fato de mergulho, da ameaça de hipotermia e de “uma língua quase a desintegrar-se”, por causa do muito tempo em que esteve em contacto com a água salgada.

É capaz de haver vontade para realizar outras proezas como esta, confidenciou, mas para já o nadador só pensa em ficar “quente e seco”, reaprendendo a “usar os pés”.