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Amnistia Internacional arrasa justiça do Bahrein após líder da oposição ser condenado à prisão perpétua

MOHAMMED AL-SHAIKH/GETTY

O xeque Ali Salman, principal líder da oposição do Bahrein, foi condenado este domingo à prisão perpétua, após o Tribunal de Recurso o ter declarado culpado pelo crime de espionagem a favor do Qatar cinco meses depois de ter sido absolvido

A Amnistia Internacional tece duras críticas à justiça do Bahrein, após o xeque Ali Salman, principal líder da oposição, ter sido condenado este domingo à prisão perpétua. Segundo o grupo de Direitos Humanos, a sentença representa uma “farsa” e demonstra a “forte repressão” que se vive no país, a três semanas das eleições parlamentares agendadas para 24 de novembro.

“Este veredito mostra os esforços implacáveis ​​e ilegais das autoridades do Bahrein para silenciar qualquer forma de dissidência. Ali Salman é um prisioneiro de consciência que está a ser detido apenas por exercer pacificamente o seu direito à liberdade de expressão”, declarou Heba Morayef, diretora da Amnistia para o Médio Oriente e Norte de África, citada pelo “The New York Times.”

O xeque Ali Salman, principal líder da oposição do Bahrein, foi condenado este domingo à prisão perpétua, após o Tribunal de Recurso o ter declarado culpado pelo crime de espionagem a favor do Qatar cinco meses depois de ter sido absolvido. Também outras duas figuras da oposição, Hassan Sultan e Ali Alaswad, receberam a mesma sentença.

Segundo o procurador-geral do Bahrein, os três membros do movimento Al-Wefaq, que promoveu as manifestações pró-democracia durante a Primavera Árabe em 2011, cometeram “atos hostis” contra o país, através de espionagem a favor do Qatar.

O objetivo destes atos, de acordo com o procurador, era “causar prejuízos à reputação política e à situação económica do reino do Bahrein, derrubar o seu regime e divulgar os seus segredos militares”, que tinham como contrapartida a oferta de avultadas quantias de dinheiro, refere a Reuters.

Detido desde 2015, “por incitação ao ódio”, Ali Salman, que tem lutado por reformas políticas no país, terá ainda oportunidade de recorrer desta decisão judicial que o condenou à prisão perpétua.

A monarquia sunita do Bahrein – país cuja comunidade xiita representa a maioria – é liderada por Hamad bin Isa al-Khalifa, que tem afastado os seus críticos e proibiu grupos de oposição desde 2011.