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5G. O vídeo como nunca visto

5G são as redes de conectividade de internet móvel da próxima geração, que vão disponibilizar velocidades de tráfego de dados substancialmente mais rápidas, latência mais reduzida e conexões mais estáveis, tanto nos smartphones como nos restantes dispositivos móveis

d.r.

Mais rápido, mais forte, mais confiável. O 5G está para chegar não tarda muito e os especialistas antecipam que as novas redes de conexão móvel vão fazer explodir o consumo de vídeo, sobretudo através dos smartphones

LUÍS PROENÇA

Noventa por cento do tráfego das futuras redes 5G pode muito bem vir a ser ocupada pelo vídeo móvel. O Conselho da Indústria do Vídeo Móvel “Openwave Mobility” deu o toque a reunir em Londres e entende tratar-se de uma projeção ajustada, tendo em conta o passado recente.

Para a maioria dos operadores de telecomunicações presentes (Deutsche Telekom, Vodafone, Orange, Telefónica, etc.), o crescimento do vídeo móvel entre 2010 e 2015 decorreu do incremento do tempo despendido pelos utilizadores. De 2015 até hoje, o crescimento do tráfego de vídeo móvel fica a dever-se já não ao tempo mas à crescente disponibilização e consequente consumo de vídeo em HD (“High Definition”), através de banda larga.

“Quando o 4G foi lançado, era tudo acerca de mobilidade e conectividade”, lembrou John Giere, presidente e CEO da “Openwave Mobility”, para elucidar que o “4G forneceu o ímpeto para companhias como a Uber, Waze e Spotify”, salientando que “o 5G terá serviços de dados bem mais intensivos, com que os operadores poderão ter mais dificuldades em lidar”. Giere dá como exemplo a Realidade Aumentada que “pode ser 33 vezes mais intensiva em dados do que o vídeo 480p” (baixa resolução). E refere ainda a convicção de que com chegada do 5G os serviços OTT já tenham mais subscritores do que a televisão (linear) paga.

O QUE É O 5G?

Simplificando, 5G são as redes de conectividade de internet móvel da próxima geração, que vão disponibilizar velocidades de tráfego de dados substancialmente mais rápidas, latência mais reduzida e conexões mais estáveis, tanto nos smartphones como nos restantes dispositivos móveis. As redes 5G são tidas como a esteira de conectividade necessária para impulsionar o desenvolvimento da IoT (“Internet of Things”) e levá-la ao próximo patamar de utilização, nomeadamente por se tratar de uma infraestrutura capaz de transferir grandes quantidades de dados em muito menos tempo que os atuais 4G e 3G. O calendário de desenvolvimento aponta para o lançamento global do 5G em cerca de ano e meio.

Na próxima década, o 5G vai gerar oportunidades cumulativas de novas receitas para a indústria dos media e do entretenimento acima de um bilião de euros (1,14 para ser exato). Este número-comboio resulta da estimativa feita pela Ovum, uma empresa de análise e consultadoria especializada em telecomunicações, media e tecnologia globais, e vem inscrito no relatório “5G Economics of Entertainment” encomendado pela Intel, o segundo maior fabricante mundial de microchips.

d.r.

A aritmética previsional da Ovum assinala que entre 2019 e 2028 as receitas totais globais a disputar entre as empresas de media e entretenimento fiquem na casa dos 2,6 biliões de euros. Para percebermos do impacto que a conectividade 5G poderá vir a trazer a esta indústria, estamos a falar de uma fatia de quase 44% de todo o retorno financeiro previsto. Chegados a 2025, o estudo prevê que 57% das receitas globais dos media “wireless” serão gerados pelas redes 5G capacitadas com superalta largura de banda e pelos dispositivos que operem com 5G. Estas novas redes deverão fazer aumentar o consumo de conteúdos, incluindo os media e a publicidade móveis, a banda larga em casa e a televisão, vindo a desbloquear o potencial de novas tecnologias dos media e do entretenimento como a Realidade Aumentada e a Realidade Virtual.

O relatório antecipa que o trafego médio mensal por assinante de 5G vai crescer dos 11,7 GB em 2019 para os 84,4 GB em 2028. Jonathan Wood, diretor geral de negócios e parcerias 5G da Intel, preconiza que o 5G traz grandes e inevitáveis desafios para as empresas de media e entretenimento: “Será um importante ativo competitivo para as empresas que se adaptarem. As que não o façam, correm o risco de falhar ou até de acabar”.