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Internacional

Governo paquistanês acusado de “assinar sentença de morte” de Asia Bibi

RIZWAN TABASSUM

Advogado de Asia Bibi, a paquistanesa cristã absolvida na quarta-feira oito anos após ter sido condenada à morte por blasfémia, já fugiu do país, mas garante que voltará para defender a sua cliente: “Preciso de continuar vivo porque tenho ainda que lutar pela batalha legal de Asia”, declarou Saif-ul-Mulook

Três dias após violentos protestos de norte a sul do país – que chegaram a bloquear várias estradas –, o Governo do Paquistão cedeu e chegou a acordo com o partido islamita radical Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP), na sequência da absolvição de Asia Bibi.

Como parte do acordo, o Governo paquistanês comprometeu-se a não bloquear uma revisão final da sentença do Supremo Tribunal e de incluir o nome de Asia Bibi na lista de controle de saída, de forma a evitar que abandone o país. Além disso, foram libertados todos os manifestantes que foram detidos no âmbito do protesto.

“Colocar Asia Bibi nessa lista é como assinar a sua sentença de morte”, afirmou Wilson Chowdhry, da Associação Cristã Paquistanesa Britânica, citado pelo “Guardian”.

Entretanto, o advogado de Asia Bibi já fugiu do país, mas garante que voltará para defender a sua cliente: “Preciso de continuar vivo porque tenho ainda que lutar pela batalha legal de Asia”, declarou Saif-ul-Mulook, em declarações à AFP.

A mulher cristã paquistanesa, de 47 anos, mãe de cinco filhos, foi absolvida na quarta-feira pelo Supremo Tribunal do Paquistão do crime de blasfémia oito anos após ter sido condenada à pena de morte.

Em causa estava o facto de Asia Bibi ter bebido água pela mesma chávena de um muçulmano em 2009, sendo acusada na altura de ter insultado o profeta Maomé. Após oito anos de prisão, o Supremo Tribunal absolveu a cristã paquistanesa. No entanto, o partido extremista Tehreek-e-Labbaik Pakistan insiste que a decisão judicial se deveu às pressões da comunidade internacional nesse sentido.