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Brexit. Primeiro-ministro irlandês diz que processo prejudica o acordo de paz

Thierry Monasse/GETTY

“Qualquer coisa que separe as duas comunidades da Irlanda do Norte prejudica o acordo e qualquer coisa que separe o Reino Unido e a Irlanda prejudica esse relacionamento”, afirmou o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar

O primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, alertou este sábado que o "Brexit", processo de saída do Reino Unido da União Europeia, está a "desgastar" a relação entre os dois países e prejudica o acordo de paz de 1998.

Em declarações à RTE Radio One, o chefe de Governo disse que "qualquer coisa que separe as duas comunidades da Irlanda do Norte (unionistas e republicanos) prejudica o acordo e qualquer coisa que separe o Reino Unido e a Irlanda prejudica esse relacionamento".

O acordo de paz assinado em 1998 pelos partidos da Irlanda do Norte e os governos de Londres e Dublin pôs fim a três décadas de conflito naquele território britânico, lançando as bases do atual sistema de Governo autónomo de poder partilhado e regulou as relações entre as partes.

Varadkar foi entrevistado na rádio irlandesa depois que o ministro do Reino Unido para o "Brexit", Dominic Raab, visitar a Irlanda do Norte, onde os partidos pediram uma solução consensual para a questão da fronteira na ilha.

A necessidade de manter uma fronteira aberta entre o norte e o sul da ilha da Irlanda, essencial para o processo de paz, está a dificultar um acordo entre o Reino Unido e a UE.

Raab disse na quarta-feira que Londres e Bruxelas chegaram a um consenso global sobre o plano de contingência para a fronteira, que seria aplicado como solução de último recurso na ausência de um acordo bilateral final, e previu que ambas as partes possam fechar as negociações no próximo dia 21 de novembro.

O ministro disse que o seu governo e a UE concordam "em princípio" com um plano de contingência que inclua uma união aduaneira entre a UE e "todo o Reino Unido", e não apenas a Irlanda do Norte, proposta originalmente por Bruxelas e que foi descartada pelo Reino Unido.

Raab admitiu, no entanto, que ainda há questões para resolver quanto ao plano, o que deverá acontecer nas próximas semanas, para que haja um acordo até dezembro.