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Adeus, carne. Olá, arroz e massa. Crise faz mudar hábitos dos Argentinos

EITAN ABRAMOVICH/GETTY

Desvalorização do peso argentino e subida da inflação levam à mudança dos hábitos alimentares de muitos cidadãos na Argentina, que se transformou no sexto exportador mundial de carne de vaca

As famosas parilladas – uma espécie de churrasco – ou as empanadas são pratos típicos da cozinha argentina, que têm em comum a carne de vaca como ingrediente. Apreciadores desta matéria-prima, os argentinos estão contudo a ser obrigados a mudar os seus hábitos alimentares devido à crise.

A desvalorização do peso argentino e subida da inflação têm levado os argentinos a escolherem opções mais baratas na sua dieta, como a massa ou arroz. O consumo de carne caiu para uma média anual de 60 quilos por pessoa em setembro, segundo os dados do sector divulgados pela Reuters.

Este número corresponde ao um dos níveis mais baixos de consumo de carne de vaca reguistado nos últimos 60 anos no país.

“Os meus hábitos mudaram muito. Antes, eu talvez preferisse fazer um bife à milanesa ou um rosbife. Mas, agora, talvez escolha o frango porque é um pouco mais barato. E mais massa e arroz”, afirma à Reuters Sabrina Pozo, uma hospedeira de bordo que vive em Buenos Aires.

Considerado um dos povos mais carnívoros do mundo, os argentinos estão a ser obrigados a mudar os seus hábitos por força da crise económica. Já o nível de produção do sector atinge níveis recorde – a Argentina transformou-se recentemente no sexto maior exportador mundial de carne de vaca, a par do Canadá. No Mercosul, só o Brasil ultrapassa a Argentina no sector.

Este ano, a Argentina exportará mais de 500 mil toneladas de carne de vaca, subindo quatro postos no ranking mundial. “Estes números mostram que a Argentina está a recuperar o protagonismo no mercado mundial de carne ”, sinalizou o secretário de Estado da Agroindústria, Luis Miguel Etchevehere, citado pelo jornal “Clarín”.

Desde o início do ano, o peso argentino já desvalorizou quase 100% face ao dólar, enquanto a inflação aumentou 6,5% só em setembro. Sem aumentos salariais, os argentinos veem os seus rendimentos a emagrecer e optam por refeições mais económicas.