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Internacional

União Europeia quer instalar sistemas de deteção de mentiras em algumas fronteiras

Matt Cardy/Getty Images

Sistemas vão ser instalados em três das fronteiras europeias mais movimentadas, Hungria, Grécia e Letónia

A União Europeia anunciou que vai instalar sistemas de deteção de mentiras nas suas fronteiras mais movimentadas, numa tentativa de identificar imigrantes ilegais.

Os detetores de mentiras vão ser usados na Hungria, Grécia e Letónia e o software usado será capaz de analisar as expressões faciais daqueles que tentam entrar em território europeu para ver se os dados de identificação fornecidos pelos mesmos são verdadeiros, assim como as suas intenções nos países nos quais pretendem entrar.

Aos que chegarem a estas fronteiras, será então pedido para mostrar fotografias do passaporte, visto e documento que comprove a sua situação financeira. Os imigrantes que forem considerados de baixo risco serão submetidos a uma breve avaliação, enquanto que os outros, os que estarão supostamente a mentir, serão avaliados durante mais tempo.

O novo sistema tem sido, contudo, criticado por vários académicos e especialistas, nomeadamente por Bruno Verschuere, professor de psicologia forense na Universidade de Amesterdão. Ao jornal alemão “De Volskrant”, afirmou ter a certeza que o software a ser utilizado irá produzir “resultados dúbios”. “Os sinais não verbais, como as microexpressões faciais, não dizem nada sobre o facto de a pessoa estar ou não a mentir. Não há fundamento científico para os métodos que vão ser usados”, afirmou, acrescentando que “manifestações de ansiedade e stress não são sinónimo de mentira”. Já Bennett Kleinberg, professor assistente, alertou para a “implementação de um sistema de controlo de fronteiras pseudocientífico”. O projeto recebeu 4,5 milhões de euros em fundos europeus.

Em declarações no Luxemburgo, George Boultadakis, coordenador do novo projeto, explicou que estão a ser usadas “tecnologias já existentes, de qualidade comprovada”, e tecnologias novas, para permitir àqueles que asseguram o controlo das fronteiras “melhorar o rigor e a eficiência das suas avaliações”.

O novo sistema de deteção de mentiras foi criado em conjunto pela Hungria, Letónia, Universidade Metropolitana de Manchester e Universidade de Hanover, na Alemanha. Tecnologias semelhantes estão a ser desenvolvidas nos EUA, onde os detetores de mentiras são muito usados pelas forças de segurança, apesar do ceticismo em relação aos mesmos que prevalece no resto do mundo.

No mês passado, vários engenheiros da Universidade do Arizona anunciaram estar a desenvolver um detetor de mentiras que recorre a inteligência artificial, conhecido por “Automated Virtual Agent for Truth Assessments in Real-Time” ou simplesmente Avatar, que esperam que venham a ser instalado na fronteira dos EUA com o México.