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Trump prometeu disparar sobre migrantes que atiram pedras mas agora diz que já não vai ser assim

Bloomberg/Getty

Instruções dadas ao exército norte-americano foram reajustadas

Lusa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou esta sexta-feira em relação a declarações anteriores, afirmando que se os migrantes atirarem pedras aos militares ou guardas fronteiriços norte-americanos não serão alvejados a tiro mas "detidos por muito tempo".

Trump disse quinta-feira que tinha instruído os militares que iam ser destacados para a fronteira sul do país para dispararem sobre os migrantes se estes lhes atirassem pedras, reagindo como se as pedras fossem "espingardas".

Mas esta sexta-feira, o chefe de Estado dos EUA disse na Casa Branca que os militares não vão disparar sobre os migrantes e acrescentou esperar que não sejam disparados quaisquer tiros. Por outro lado, disse que os migrantes que atiraram pedras à polícia e aos militares mexicanos foram "uma vergonha" e que os Estados Unidos "não vão admitir" que eles repitam a dose.

Para impedir que os migrantes centro-americanos que se deslocam em caravanas e se dirigem aos Estados Unidos para pedir asilo entrem no país, mais de 7.000 militares estarão posicionados "até ao fim do fim de semana" nos Estados norte-americanos fronteiriços com o México - Califórnia, Arizona e Texas -, indicou esta sexta-feira o Comando Norte do Exército Norte-Americano (Northcom).

Este número corresponde ao que já tinha sido anunciado: o envio para a fronteira de 5.239 soldados, que ali se reunirão a 2.100 reservistas da Guarda Nacional já destacados há vários meses, precisou Michael Kucharek um porta-voz do Northcom.

É esse o comando militar que vai supervisionar a operação batizada como "Patriota Fiel", destinada a deter as caravanas formadas por milhares de migrantes, na maioria hondurenhos aos quais pelo caminho se juntaram guatemaltecos, salvadorenhos e outros, a fugir à miséria e à violência.

Os reforços militares serão pré-posicionados nas principais bases militares dos três Estados referidos: a base aérea de Davis-Monthan (Arizona), as bases navais de San Diego (Califórnia) e Corpus Christi (Texas) e a base dos fuzileiros de Camp Pendleton, na Califórnia.Mas o seu destacamento final "vai ainda ser determinado", disse Kucharek.

Hoje, apenas uma centena de militares tinha chegado à localidade de McAllen, no Texas, um dos principais pontos de passagem entre os Estados Unidos e o México, segundo o porta-voz. Um responsável do Pentágono que pediu o anonimato tinha dito antes que havia um milhar de soldados nessa cidade situada sobre o Rio Grande, que separa os dois países.

Eles serão encarregados de missões logísticas, como montar tendas para os soldados, referiu Kucharek, precisando que o exército norte-americano não recebeu qualquer pedido formal para instalar tendas para os migrantes, um projeto mencionado por Donald Trump nos seus discursos eleitorais.

O dispositivo de segurança da fronteira sul dos Estados Unidos estará assim completo a dois dias das eleições legislativas intercalares de 6 de novembro, nas quais está em jogo para Trump a manutenção da maioria republicana nas duas câmaras do Congresso, razão pela qual multiplicou o anúncio de medidas suscetíveis de captar o seu eleitorado, nomeadamente sobre o tema da imigração.

"É uma invasão", insistiu na quinta-feira, ao anunciar que vai assinar na próxima semana um decreto sobre o assunto, afirmando que os migrantes detidos na fronteira vão ser colocados em campos formados por tendas e outras instalações até que sejam deportados ou vejam o seu pedido de asilo aprovado.