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Khashoggi era um islamista perigoso e membro da Irmandade Muçulmana, disse príncipe herdeiro saudita

Jamal Khashoggi, o jornalista saudita que morreu no consulado da Arábia Saudita na Turquia, tinha participado num evento do Middle East Monitor em Londres, a 29 de setembro

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A revelação foi feita durante um telefonema entre Mohammed bin Salman, o genro do Presidente dos EUA e o seu conselheiro de segurança nacional uma semana depois do desaparecimento do jornalista saudita. A família de Khashoggi nega que ele pertencesse à Irmandade Muçulmana e lembra que o jornalista já o tinha negado repetidas vezes

O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman disse ao genro do Presidente Donald Trump, Jared Kushner, e ao conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton, que o jornalista saudita Jamal Khashoggi era um islamista perigoso, membro da Irmandade Muçulmana. A avaliação do príncipe foi feita durante uma chamada telefónica no dia 9 de outubro, uma semana depois de o jornalista ter desaparecido, escreveu esta quinta-feira o jornal “The Washington Post”.

Autoexilado nos Estados Unidos e crítico do regime saudita, Khashoggi era colunista daquele jornal americano. A 2 de outubro, entrou no consulado saudita em Istambul e nunca mais foi visto. O seu corpo ainda não foi encontrado, ainda que a Turquia, os EUA e a Arábia Saudita concordem agora que o jornalista foi morto no interior do edifício. O reino saudita nega que a família real esteja envolvida no crime e diz-se “determinada a apurar todos os factos”.

Numa declaração ao “Post”, a família de Khashoggi negou que ele pertencesse à Irmandade Muçulmana e lembrou que o jornalista já o tinha negado repetidas vezes nos últimos anos. “Jamal Khashoggi não era de todo uma pessoa perigosa. Afirmar o contrário é ridículo”, revela ainda o comunicado.

Khashoggi foi estrangulado e desmembrado “de acordo com os planos”, diz Ancara

Apesar de os três países concordarem que ele foi morto no interior do consulado, para onde se dirigiu para arranjar os documentos necessários para o casamento com a sua noiva turca, ainda não há consenso sobre a forma como Khashoggi morreu.

Na quarta-feira, as autoridades turcas disseram que o jornalista foi estrangulado imediatamente depois de entrar no consulado e que o seu corpo foi desmembrado “de acordo com os planos feitos anteriormente”. Já a Arábia Saudita tem mudado a sua versão relativamente àquilo que aconteceu a Khashoggi.

Quando se soube do seu desaparecimento, Riade disse que o jornalista tinha saído do edifício vivo. Mais tarde, admitiu que tinha sido assassinado durante um interrogatório que correra mal. O reino saudita acabaria por prender 18 suspeitos, que deseja condenar no país, enquanto a Turquia pretende que eles sejam extraditados, uma vez que o crime ocorreu em solo turco.