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David Cameron de volta à política? Partido Trabalhista arrasa-o

PETER NICHOLLS / Reuters

Surgiu a notícia de que poderia voltar. Não foi desmentida pelo próprio mas foi "dissolvida" pelos seus colaboradores mais próximos. Se o serviço público chamar, David Cameron, antigo primeiro-ministro britânico, está disponível mas para já ainda não. As reações à mera possibilidade de um regresso deixaram a oposição trabalhista num alvoroço

O Partido Trabalhista uniu-se no Twitter no coro de críticas à mera possibilidade de que David Cameron, antigo ministro britânico, pudesse regressar à política. A notícia foi avançada pelo diário “The Sun” e, apesar de alguns amigos próximos de Cameron já terem vindo dizer que isso não é um plano a curto prazo, também ficou claro que “caso algum lugar no serviço público” surja, disse uma fonte próxima de Cameron ao “The Guardian”, o ex-primeiro-ministro conservador não se afastará do seu dever.

Angela Rayner, a ministra da Educação “sombra” trabalhista, escreveu: “Mesmo quando uma pessoa pensava que a política não poderia ficar mais bizarra, acontece isto. Não, David, por favor fica na reforma, já causaste danos suficientes da última vez”. Já a deputada Yvette Cooper escolheu a ironia para comentar a notícia: “Então e porquê? Porque correu tão bem da última vez? O senhor arrasou a nossa principal parceria internacional. Por acidente. Isso faz de si pior que Boris Johnson [ex-ministro dos Negócios Estrangeiros eurocético]”. Mais ironia da parte de David Lammy, outro deputado pelos trabalhistas: “Para onde, para a Sibéria?”.

Mas alguns amigos de Cameron, falando sob anonimato, disseram ao “The Guardian” que não era intenção do antigo primeiro-ministro regressar já à ribalta política. Um deles disse que Cameron “tem-se mantido afastado da política de propósito” e assim deverá continuar até “bem depois do prazo limite para a saída do Reino Unido da União Europeia”, que acontece a 29 de março de 2019.

Foi Cameron que, em 2013, para tentar estancar algum do sentimento eurocético mais inflamado no seu partido, prometeu aos britânicos que teriam a possibilidade de escolher permanecer ou sair da União Europeia e por isso tem sido fortemente criticado desde então. Numa entrevista à CNN este ano, Cameron disse que não se arrepende de ter oferecido essa escolha ao país mas lamentou a decisão: “Acho que escolhemos o caminho errado”, disse na altura.

Cameron demitiu-se depois de conhecido o resultado e tem-se mantido afastado de cargos mediáticos, porque, segundo fontes do “The Guardian”, continua algo perturbado com o Brexit.