Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

“Chamem às coisas o que elas são - mentiras”: Obama entrou na campanha, foi apupado e respondeu com humor

Chip Somodevilla/Getty

Interrompido várias vezes por membros da audiência descontentes com a sua mensagem, o antigo presidente norte-americano Barack Obama discursou ao lado dos seus colegas democratas no estado da Florida, onde a campanha para as intercalares de 6 de novembro tem sido particulamente "suja" de ambos os lados, chegando a envolver insultos raciais

Barack Obama, antigo presidente norte-americano, esteve esta sexta-feira na Florida numa ação de campanha ao lado do candidato democrata a governador, Andrew Gillum, e de Bill Nelson, que está a lutar para manter o seu lugar como senador do Estado. Se Gillum vencer, será o primeiro governador negro a ser eleito na Florida - uma “estreia” que Obama sabe bem ao que sabe.

Apesar de estar entre uma esmagadora maioria de democratas, o discurso de Obama ficou marcado por alguns incidentes de protesto de membros da audiência que o interromperam. Com a capacidade de encaixe que lhe é habitual, Obama começou por advertir o crítico contra o uso de palavras feias num meio familiar, dizendo ainda: “Está tudo bem, está tudo bem. É isto que eu espero de um comício, estas interrupções devolvem-me o espírito da coisa”.

A insistência do protesto fê-lo parar de novo, dirigindo-se especificamente ao indivíduo: “Se apoia os outros candidatos então deveria estar nos comícios de outros candidatos. Para que é que veio ouvir-me falar?”, perguntou Obama, recebendo um estrondoso aplauso dos seus ouvintes.

À terceira vez que foi interrompido, Obama tornou o assunto político: “É um truque antigo no livro e um que os poderosos e os privilegiados utilizam muito. Tentam fomentar o ódio entre as massas para proteger o seu estatuto, mesmo quando isso prejudica o país e quando coloca pessoas em risco. É do mais cínico que existe”. Mas em quatro dias, avisou Obama, “vocês podem ser a paragem final para esse tipo de comportamento”.

O discurso fez-se à volta de temas de inclusão social, justiça, igualdade e saúde, um dos temas mais importantes desta campanha e um que os principais estrategas democratas têm pedido repetidamente para que os candidatos utilizem em campanha. Obama, que pensou a lei que prevê um serviço de saúde mais acessível a todos os norte-americanos, e que está agora a ser contestada pela administração de Donald Trump, reforçou a importância do seu “Obamacare”: “De repente, os republicanos já não têm um problema com as pessoas que têm problemas de saúde previamente ao pedido de seguro, mas sempre tiveram. Eles estão a mentir-vos. Vamos chamar às coisas o que elas são: uma mentira”.

Um dos problemas com os seguros de saúde nos Estados Unidos é a dificuldade em adquirir um se o proponente já tiver uma condição de saúde prévia: ou é negada a cobertura ou torna-se impossível de adquirir para quem tenha um salário médio ou baixo.

Numa crítica direta a Trump - que nunca nomeou - Obama disse que “é o carácter do país que vai a votos” e que nas últimas semanas tinha sido possível observar “repetidas tentativas de provocar uma divisão entre as pessoas, com retórica pensada para nos tornar raivosos e amedrontados, e desenhada para que a nossa História - a racial, a religiosa e a étnica - seja utilizada como arma de arremesso de uns contra os outros”.