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Catalunha. “Quanta repressão pode aguentar a democracia espanhola?”, questiona Quim Torra

PAU BARRENA/GETTY IMAGES

O Ministério Público espanhol acusou esta sexta-feira de rebelião os líderes do processo independentista da Catalunha e pediu 25 anos de prisão para o ex-vice-presidente do governo regional e penas de 16 e 17 anos para outros envolvidos

O presidente do Governo Regional da Catalunha, Quim Torra, manifestou esta sexta-feira "profunda indignação" com as "intermináveis penas" pedidas pelo Ministério Público para os líderes independentistas e acusou o presidente do executivo espanhol de "cumplicidade" com a repressão.

O Ministério Público espanhol acusou esta sexta-feira de rebelião os líderes do processo independentista da Catalunha e pediu 25 anos de prisão para o ex-vice-presidente do governo regional e penas de 16 e 17 anos para outros envolvidos.

Torra, que reagiu através de uma declaração conjunta com o presidente do parlamento da Catalunha, Roger Torrent, considerou a acusação "um sinal de menosprezo absoluto pelos democratas encarcerados".

"O Governo perdeu uma oportunidade de ouro para tirar dos tribunais o conflito da Catalunha e devolvê-lo à política, que é onde deveria estar", apontou Torra, considerando que o Ministério Público pretende "criminalizar" todas as pessoas que participaram no referendo de 1 de outubro.

PAU BARRENA/GETTY IMAGES

Torra deixou um aviso ao presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez de que a acusação aprofunda uma "injustiça democrática" que afeta mais "a democracia espanhola" que os próprios independentistas.

"Quanta repressão pode aguentar a democracia espanhola? Quantos democratas podem aceitar que se retenha a Catalunha à força? Alguém acredita que pedindo 200 anos de prisão para os líderes independentistas desaparecerão os dois milhões de pessoas que querem uma república catalã? Alguém acredita que com mais repressão se acabará a ânsia de liberdade", questionou.

Quim Torra apelou para que a indignação se converta em "energia positiva" para "encarar com força, determinação e unidade estes momentos graves".

"Precisamos de todos. Não pararemos até que os presos sejam libertados, os exilados regressem a casa e se acabe a repressão todos aqueles que ajudaram a dar voz ao povo", disse.

Num documento sobre a tentativa de secessão da Catalunha, em outubro de 2017, apresentado ao Supremo Tribunal, o Ministério Público pediu a pena mais alta para Oriol Junqueras (25 anos), por o considerar o líder da rebelião.

Pediu ainda penas de prisão de 17 anos para Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, dirigentes de duas importantes associações independentistas, e também para a então presidente do parlamento da Catalunha, Carme Forcadell, por também os considerar “promotores e/ou principais líderes” da rebelião

Para os ex-conselheiros (ministros do governo regional) Jordi Turull, Josep Rull, Joaquim Forn, Raul Romeva e Dolors Bassa são pedidos 16 anos de prisão por rebelião, enquanto em relação aos três ex-conselheiros Carles Mundó, Meritxell Borràs e Santi Vila o Ministério Público pede sete anos e multas de 30.000 euros.

Aos cinco membros da Mesa do Parlamento que aprovaram as designadas “leis de desconexão” – Lluis Corominas, Lluis Guinó, Anna Simó, Ramona Barrufet e Josep Joan Nuet – é pedido o pagamento de uma multa de 30.000 euros por um crime continuado de desobediência grave. A mesma pena é pedida para a ex-presidente da CUP (Candidatura de Unidade Popular, esquerda, independentista) no parlamento catalão Mireia Boya.

Em relação a todos os acusados é pedida ainda a inibição de desempenho de cargos públicos por diferentes períodos.

O Supremo Tribunal espanhol tinha dado, a 25 de outubro, por concluída a fase de instrução do processo relacionado com a tentativa de autodeterminação da Catalunha e decidiu avançar com o julgamento de 18 líderes independentistas