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Internacional

Assembleia Geral da ONU aprova resolução anual para fim do embargo económico dos EUA contra Cuba

Atilgan Ozdil/Anadolu Agency/Getty Images

Estados Unidos e Israel votaram contra a resolução e 189 países votaram a favor, enquanto Ucrânia e Moldávia não votaram. Para a embaixadora dos EUA na ONU, ao votarem a favor, os países estão a dizer ao regime cubano que é “aceitável” a forma como trata o seu povo. MNE cubano disse que EUA não têm “autoridade moral” em matéria de direitos humanos

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou esta quinta-feira de maneira esmagadora a sua 27.ª resolução anual pedindo o fim do embargo económico dos EUA a Cuba. A aprovação segue-se a uma tentativa fracassada de Washington de emendar o texto no sentido de pressionar Cuba a melhorar o seu registo de direitos humanos, revela a agência de notícias Reuters.

Apesar de a votação da ONU poder ter peso político, apenas o Congresso americano pode suspender o embargo de mais de meio século. Os Estados Unidos e Israel votaram contra a resolução e 189 países votaram a favor, enquanto a Ucrânia e a Moldávia não votaram.

Segundo a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, ao votarem a favor da resolução, os países estão a dizer ao regime cubano que é “aceitável” a forma como trata o seu povo.

24 anos interrompidos por Obama e retomados por Trump

Os Estados Unidos votaram consistentemente contra as resoluções da ONU durante 24 anos mas abstiveram-se pela primeira vez em 2016 quando Barack Obama era Presidente, numa altura em que Washington e Havana tentavam uma aproximação. No entanto, as relações deterioraram-se drasticamente desde a tomada de posse de Donald Trump em janeiro de 2017, com o regresso da retórica da Guerra Fria e com a reimplementação das restrições de comércio e viagens que tinham sido aliviadas por Obama.

No ano passado, apenas os EUA e o aliado Israel votaram contra a resolução, enquanto os restantes 191 membros da Assembleia Geral votaram a favor. Este ano, os Estados Unidos propuseram oito emendas à resolução, designadamente apelando a Cuba que “conceda plenamente aos seus cidadãos direitos e liberdades civis, políticos e económicos internacionalmente reconhecidos, incluindo liberdade de reunião, liberdade de expressão e livre acesso à informação”. No entanto, todas as emendas fracassaram, apenas com os EUA, Israel e a Ucrânia a votarem favoravelmente todas as oito emendas.

O ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodriguez, disse que a Administração dos EUA não tem “autoridade moral” para criticar Cuba e outros países em matéria de direitos humanos. “O embargo é uma violação dos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. É um ato de agressão e um ato de guerra económica, que perturba a paz e a ordem internacional”, disse o governante antes da votação.