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Esperar sem saber pelo que se espera

Jovem protesta perto da Casa Branca contra o fim do Estatuto Temporário de Proteção para os cidadãos de países afetados por guerras e desastres naturais

FOTO ANDREW CABALLERO-REYNOLD/AFP/GETTY IMAGES

Donald Trump quer reduzir todos os tipos de imigração - não só a ilegal. É uma das suas bandeiras e uma das principais lutas da sua base conservadora e, por isso, revogou o estatuto de proteção temporária a mais de 300 mil pessoas que a tinham recebido para poderem fugir a catástrofes naturais ou situações de guerra nos seus países de origem. Só de El Salvador chegaram quase 200 mil pessoas, o maior contingente de ‘protegidos’ que Trump quer desproteger. As eleições intercalares dos EUA, que decorrem na próxima terça-feira, podem colocar no poder quem ofereça a estes imigrantes um caminho menos sinuoso para a cidadania e evite que sejam deportados para um país esventrado pela violência entre gangues. Este é o terceiro de cinco artigos que estamos a publicar esta semana sobre as intercalares, numa série que fecha esta sexta-feira com uma análise de Clara Ferreira Alves

“Roberto. Fica só Roberto, está bem?”
“Tudo bem, mas tem medo?”
“Os meus filhos não sabem que eu e a minha mulher estamos nos Estados Unidos com uma proteção temporária, pensam que somos cidadãos. São novinhos, 12 e 13 anos, são bons alunos, não queremos que eles fiquem a pensar que vida que levamos pode acabar daqui a um ano.”

Roberto vive em Porter, no Texas, tem 44 anos e é salvadorenho. Um dos quase 200 mil em risco de perderem o chamado visto TPS [Temporary Protection Status] atribuído ao pequeno país em 2001, depois dois devastadores terramotos ocorridos apenas com um mês exato de intervalo, a 13 de janeiro e a 13 de fevereiro de 2001, terem destruído as casas a milhares de pessoas. Morreram nessa altura mais de mil salvadorenhos. Antes dos terramotos já muitos tinham fugido a uma guerra civil que durou 12 anos, entre 1980 e 1992, disputada pela guerrilha da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), depois transformada em partido político e atualmente no poder, e pelo Exército do país, que recebeu dinheiro e treino dos EUA. Cerca de 75 mil pessoas morreram e outras oito mil foram dadas como desaparecidas.

A menos de um ano de terminar esta proteção que lhes permitiu viver e trabalhar nos EUA de forma legal nos últimos anos 20 anos, vários salvadorenhos não sabem ainda o que vão fazer e nem sequer que hipóteses lhe restam. Uns aguardam uma intervenção política, outros uma intervenção jurídica e outros ainda aguardam só, num marasmo que só os que aguardam entendem.

Hoje Roberto conduz camiões, ganha bem e a mulher também, como professora de inglês para cidadãos de língua espanhola. “Medo? Sim, medo. Medo de termos de ou deixar cá os nossos filhos ou de levá-los de volta para sítios como El Salvador ou Honduras, com as taxas de homicídio e criminalidade maiores do mundo”, diz ao Expresso. Não tem medo que os filhos venham a descobrir que os pais não estão seguros porque “a minha família vive melhor do que o americano médio e ninguém diria que estamos aqui temporariamente”.

Chegou há 18 anos, pouco depois de dois terramotos. Após os sismos, no lugar das casas, dos negócios de família, das infraestruturas e do governo civil ficou “a lei da extorsão, da morte, da vingança e da renda”. A renda é o que a maioria das pessoas tem de pagar para não serem agredidas, os seus negócios queimados. No ano passado, o irmão da sua mulher, o tio que os filhos de Roberto só conheceram pelo telefone e pelo Skype, foi assassinado por se recusar a dividir os poucos lucros com os gangues. “A mãe da minha mulher está agora sozinha, com 72 anos, à frente do negócio da família, uma casa de ferragens, e todos os meses lá vai um miúdo pedir dinheiro para a deixar em paz a gerir um negócio que sempre foi da nossa família”, conta. “É bastante frustrante. Já lhe perguntámos se ela quer vir para cá mas ela diz que tem pessoas empregadas que dependem daquele salário.”

Um membro do famoso gangue Barrio 18 faz croché numa atividade na prisão salvadorenha

Um membro do famoso gangue Barrio 18 faz croché numa atividade na prisão salvadorenha

FOTO OSCAR RIVERA/AFP/GETTY IMAGES

Se Roberto e a família perderem o estatuto TPS, a tal vida “muito estável para quem é imigrante” pode mudar da noite para dia. “Para mim basta um passo: perder a carta de condução. Sem carta de condução não posso conduzir e se tentar trocar de emprego já depois do fim da proteção só ilegalmente é que o consigo e eu não quero ser ilegal. Nunca estive ilegalmente em lugar nenhum”, explica Roberto, que tem, com a família toda, seguros de saúde através do emprego da mulher: “Se ela ficar sem emprego ficamos todos sem seguro e não podemos pedi-lo estando sem a proteção”. Roberto diz que é como uma reação em cadeia, como as sequelas de um terramoto - “piores que o primeiro abalo”.

Voltar não. “Nem pensar, nunca vou colocar os meus miúdos nessa situação. Mas não sou só eu. Muitos amigos meus aqui dizem que não voltam, só obrigados, levados ao avião, porque não há nada lá para se voltar para.”

ESPERAR SEM SABER PELO QUE SE ESPERA

Assim que Estefani Alarcon, salvadorenha de 23 anos que chegou aos EUA com cinco, soube que tinha até setembro do próximo ano para conseguir um visto, o plano traçado logo à mesa de jantar com os pais e o irmão foi o de pedir residência permanente para, a partir daí, tentar obter a cidadania americana. Isso e, sobretudo, manter a resiliência, lutar, não quebrar.

Os pais tinham sacrificado tudo o que tinham em El Salvador para começar tudo de novo e criar e forrar um ninho seguro para os filhos nos EUA e trabalhado para que eles pudessem estudar e formar-se, porquê desistir agora? Meses depois, no entanto, Estefani continua no mesmo ponto em que estava há uns meses. “Não sei o que vai acontecer. Tenho estado em contacto com um advogado da minha universidade para perceber quais são as minhas opções mas honestamente não sei o que vai acontecer. Estamos só à espera”, conta ao Expresso a partir de Brooklyn.

À espera? Mas à espera de quê? Que Donald Trump mude de ideias e decida que afinal nem se importa que os mais de 300 mil imigrantes de países como El Salvador, Haiti, Honduras, Nepal, Nicarágua, Somália, Sudão, Sudão do Sul, Síria e Iémen, que vieram para o seu país porque o deles estava ou em guerra ou destruído por terremotos ou outros desastres naturais ou imerso numa enorme crise humanitária, se mantenham no seu país? À espera? À espera que alguém interceda por eles? Que alguém os salve? “Não sei bem de que estou à espera, mas estou à espera”, responde Estefani, repetindo. “Não sei o que vai acontecer. Não sei mesmo o que fazer.”

Na situação de Estefani Alarcon e dos seus pais e irmão estão outros cerca de 195 mil salvadorenhos - o maior número de pessoas abrangidas pelo TPS - que vivem hoje em dia nos EUA, concentrados sobretudo em Washington D.C. (32.000), Los Angeles (23.000) e Houston (17.000), segundo números que constam de um relatório publicado em 2017 pelo Immigrant Legal Resource Center, que dá apoio educacional e jurídico a imigrantes.

A guerra teve uma grande influência na vida de Estefani Alarcon. Foi por causa dela que o pai partiu pela primeira vez para os EUA, para evitar ser recrutado para o Exército - que andava de vila em vila à procura de homens aptos para carregar sobre os supostos inimigos. Depois disso, voltou várias vezes a El Salvador e voltou a sair e voltou a entrar e houve um dia em que decidiu que queria ficar na sua terra com a família. Mas quando decidiu a terra tremeu e aí o pai tomou a decisão inversa - que o implicaria não só a ele como ao resto da família. “Vamos todos sair daqui”, disse ele, segundo Estefani. Chegaram aos EUA de avião, não a pé como tantos outros que entraram ilegalmente. A estudante de Comunicação e Cultura considera-se desde aí uma “imigrante privilegiada”. “Fugimos da destruição mas também da pobreza causada pela destruição. Os danos nunca são exclusivamente materiais.” Os primeiros tempos não foram fáceis. “Vivíamos num apartamento com dois quartos e oito pessoas lá. Era tanta gente naquela casa. Na sala estavam duas pessoas, no quarto estávamos nós os quatro.” Mudaram-se para outro apartamento algum tempo depois, no mesmo prédio, e a mãe entretanto começou a trabalhar numa fábrica de têxteis. “A minha mãe sempre foi muito boa costureira, fazia vestidos muito bonitos.” O pai tinha um negócio de reconstrução “mas teve de o vender e depois foi trabalhar para a pessoa a quem o vendeu”. Estefani era demasiado nova para entender que vivia num país que não era o seu mas as feições duras que notava no rosto dos pais de cada vez que a televisão emitia certas notícias faziam-na pensar que talvez estivessem preocupados.

Salvadorenhos participam na caravana de imigrantes que se dirige para os EUA

Salvadorenhos participam na caravana de imigrantes que se dirige para os EUA

FOTO JOSE CABEZAS/REUTERS

Aos 17 anos conseguiu um trabalho que lhe “abriu muitas portas” mas mostrou-lhe que teria mais dificuldades do que outras pessoas a concorrer aos mesmo lugares. “Pediram-me um autorização de trabalho e eu perguntei à minha mãe ‘mas afinal o que é isso?’. Aí entendi que é sempre complicado explicar tudo isto aos empregadores: ‘Ouçam, eu não sou cidadã mas também não estou ilegal’. Havia tanta gente que não sabia o que isto é.”

O anúncio de que a proteção especial de que beneficiaram desde então iria terminar em breve foi feito pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA, num comunicado divulgado a 8 de janeiro, onde se lia que pesou na decisão “o facto de as condições que determinaram a atribuição do estatuto já não se verificarem hoje em dia”. Donald Trump, por sua vez, decidiu dar um saltinho a uma aula da primeira classe para explicar que “T” significa temporário.

Estefani lembra-se bem desse momento. “Fiquei muito perturbada. Eu estava no trabalho e vi o alerta. A proteção para o Haiti tinha terminado. Sabia que El Salvador seria o próximo. Depois vem janeiro e eu estava no trabalho e vi outro alerta. Pedi para sair mais cedo do trabalho porque não estava a aguentar e vim para casa agarrada ao volante a chorar.” Em casa a mãe tentou acalmá-la mas nessa altura a única imagem que lhe vinha à cabeça era a de uma massa disforme e em apuros de salvadorenhos. “Eles não têm a minha história. Eu possivelmente posso ter acesso a uma espécie de protelação da proteção porque estou a estudar ainda, mas as pessoas que não têm isso ou nenhuma outra exceção? Construíram negócios e têm aqui as casas delas.”

Apesar do que argumenta o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Estefani considera que “El Salvador não está preparado para receber tanta gente”. “Nem as pessoas que lá estão conseguem ganhar para comer. As pessoas continuam a vir para cá por alguma razão. Chegas lá e onde vais viver? Onde vais trabalhar? O que vais comer? Os gangues são todo um outro caos completo. Tens de lhes pagar uma certa quantia para não morrer.”

Evelyn Hernandez, salvadorenha que tem 44 anos e vive nos EUA há mais de 20 anos, também não acha que seja seguro voltar. “Os políticos de lá não têm planos para nós e seria um desastre voltar. Não quero ir embora, quero ver os meus filhos e os filhos dos meus filhos crescer.” Ao Expresso, a funcionária da CARECEN, organização que ajuda imigrantes de países latinos em Washington D.C., diz também querer lutar por uma solução permanente e ir a Washington “falar com os políticos, porque eles é que têm o poder”. “Sinto-me num limbo de insegurança em que de um lado está o medo e do outro a esperança.”

UM DIA EM DOIS ANOS EM QUE NINGUÉM MORREU

Segundo o International Crisis Group, foram mortos nos últimos três anos mais de 15.800 salvadorenhos. Só nos primeiros 20 dias de 2018 registaram-se 220 homicídios, mais 25 do que os registados em igual período em 2017, segundo números oficiais citados pelo “Latin American Post”. Também no ano passado houve um dia, 11 de janeiro, em que pela primeira vez em dois anos ninguém morreu e isso foi notícia e foi quase celebrado.

Gangues famosos como o Mara Salvatrucha (ou MS-13) e o Barrio 18, formados em Los Angeles no início dos anos 80 pelos filhos dos imigrantes salvadorenhos que fugiram do país por causa da guerra civil, continuam a acertar contas nas ruas ou a recrutar quem queira fazê-lo por eles e continuam a roubar e a extorquir os pequenos comerciantes e a traficar droga e pessoas, a aterrorizar a população. Alguns académicos consideram o Governo conivente com a violência por retiraram daí dividendos políticos. José Miguel Cruz, diretor de investigação do Latin American and Caribbean Center (LACC) e professor na Universidade Internacional da Florida, assina um texto publicado no site “The Conversation” em que diz os gangues não são os únicos responsáveis pelo crime e que eles são “basicamente um sintoma de um problema muito mais grave que alastra pela América Central chamado corrupção”.

Outros salvadorenhos participam na caravana em direção ao EUA

Outros salvadorenhos participam na caravana em direção ao EUA

FOTO JOSE CABEZAS/REUTERS

Já Salvador Sanabria, advogado e diretor executivo da El Rescate, que dá apoio jurídico a imigrantes, sobretudo latinos, esvazia a preocupação manifestada muitas vezes por Trump e Jeff Sessions, procurador-geral, a respeito do aumento e disseminação da violência nos EUA por estes gangues. “A maioria das salvadorenhos que beneficiam do TPS têm um trabalho normal e alguns deles têm pequenos negócios e contratam outros iimigrantes para trabalhar com eles.” Além disso, aponta, “a maioria dos crimes onde os salvadorenhos estão mais concentrados não foram cometidos por imigrantes mas sim por cidadãos americanos”. “Não vemos qualquer relação entre a chegada dos salvadorenhos aos EUA e o aumento do crime ou da atividade dos gangues. Pelo contrário, se eles forem obrigados a regressar ao país podem facilmente tornar-se vítimas de crime organizado e dos cartéis da droga, ou da polícia e dos políticos corruptos.”

Quase um em três salvadorenhos vivem abaixo do limiar de pobreza, o salário médio mensal é de cerca de 280 euros (números da Organização Internacional para as Migrações), menos de um terço do salário médio em Portugal, e portanto obrigar os imigrantes a regressarem só irá aumentar ainda mais a pobreza porque muitos dos habitantes de El Salvador dependem do dinheiro que os seus familiares lhes enviam, explica Salvador. “Se deixar de haver remessas ou elas diminuírem, isso terá um grande impacto na economia do país e no resto.” No ano passado, os salvadorenhos emigrados nos EUA enviaram no total 5 biliões de dólares (cerca 4,4 milhões de euros) para casa, o que representou quase 16% do Produto Interno Bruto (PIB). A economia do país é, além disso, e segundo o Banco Mundial, a que cresce a um ritmo mais lento em comparação com os restantes países da América Central.

Tudo isto faz de El Salvador um dos últimos lugares para onde, segundo a opinião consensual, se deveria querer mandar alguém, e Donald Trump até concorda — ou não lhe tivesse chamado, assim como ao Haiti e várias nações africanas, “países de merda” — mas quis distinguir-se dos seus antecessores e não renovar o TPS, criado em 1990 pelo antigo presidente norte-americano George H. W. Bush. A decisão afetará não só El Salvador como outros cinco dos dez países que beneficiam desta proteção, incluindo o Sudão (suspensão agendada já para esta sexta-feira), a Nicarágua (janeiro de 2019), o Nepal (junho do mesmo ano), o Haiti (julho) e as Honduras (janeiro de 2020).

Mais de 195 mil salvadorenhos podem vir a ter de abandonar o país até setembro de 2019

Mais de 195 mil salvadorenhos podem vir a ter de abandonar o país até setembro de 2019

FOTO ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/REUTERS

QUE OPÇÕES, O QUE RESTA?

A situação está tão complicada em El Salvador que Salvador Sanabria não vê um único imigrante a querer voltar para o país assim que o TPS expire. “Duvido muito que isso aconteça. As pessoas vão querer continuar a viver aqui mesmo que ilegalmente, fora do radar das autoridades, e vão juntar-se aos outros 11 milhões de imigrantes que já vivem no país sem autorização de trabalho ou de residência. Vão voltar ao ponto em que estavam antes de lhes ser atribuído o TPS”. Isto, claro, se não se transformarem “em vítimas ou alvo de exploração laboral ou de outro tipo de abusos cometidos pelas pessoas que os empregam de forma ilegal”.

Mas quais as opções em cima da mesa? “Fazer uma petição familiar através de um parente em primeiro grau que já tenha obtido a cidadania americana, casando-se com alguém que já esteja naturalizado; candidatando-se, no caso das mulheres e homens vítimas de violência nos EUA, a um visto tipo U ou, no caso das mulheres vítimas de violência doméstica, pedir residência permanente através da proteção oferecida pela lei VAWA [Violence Against Women Act]”. Pedir asilo é uma hipótese? “Não, de todo”, sublinha Salvador, explicando que a violência dos gangues não é tida em consideração pelo Governo americano para a atribuição de asilo, “e ainda menos agora, com Trump no poder”. Evelyn Hernandez não confia em nenhuma destas opções: “Sei de muitos casos que não se qualificaram. É muito complicado e os advogados têm de fazer muitas avaliações”.

Recentemente, um juiz federal norte-americano bloqueou a suspensão do TPS para os países que vão ser afetados pela medida este ano e no próximo. A decisão entrou em vigor “de forma imediata”, de acordo com o magistrado, Edward Chen, do tribunal de São Francisco, que considerou que a não renovação do programa de proteção de imigrantes vai causar “danos irreparáveis” aos visados, alguns deles há 30 anos no país e a maioria há 20 e já com filhos nascidos no país. Os salvadorenhos sentiram-se um pouco mais leves e continuaram a aguardar e o Governo americano não gostou e já anunciou que vai recorrer da decisão. “O mesmo tribunal irá agora avaliar o recurso e só depois disso saberemos se o processo segue para o Supremo Tribunal dos EUA. Até lá não poderemos fazer nada. Só aguardar”, diz Salvador Sanabria.

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