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Internacional

Eclesiástico paquistanês recorre de absolvição da cristã Asia Bibi por blasfémia

RAHAT DAR/ EPA

Asia foi condenada à morte por blasfémia, está presa há oito anos, foi agora absolvida

O eclesiástico que liderou a denúncia de presumível blasfémia contra a cristã Asia Bibi recorreu esta quinta-feira da decisão de absolvição para o Supremo Tribunal paquistanês.

O clérigo Qari Mohamed Salam argumentou que a absolvição da cristã, que tinha sido detida em 2010 e condenada à morte, "não segue a jurisprudência" destes casos, nem as normas islâmicas, segundo a agência noticiosa Efe.

Salam quer ainda que o caso seja revisto no Tribunal de Recurso da Sharia, um departamento que avalia se as decisões seguem a jurisprudência islâmica, e que avance uma decisão para proibir a saída de Asia Bibi do Paquistão enquanto são examinados os recursos.

O Supremo Tribunal paquistanês absolveu na quarta-feira Asia Bibi, sob o argumento de que na sentença de morte, ditada em primeira instância, houve "graves contradições" e registaram-se "mentiras" em testemunhos.

O primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, num discurso na televisão local argumentou, quarta-feira, que a "decisão do Supremo Tribunal está conforme a Constituição" e pediu aos manifestantes, que contestaram a absolvição, que não enfrentem o Estado.

Asia Bibi, mãe de cinco filhos, foi acusada de blasfémia em 2009, após ter alegadamente insultado o profeta Maomé durante uma discussão com um grupo de mulheres com quem trabalhava.

Em novembro de 2010, um tribunal paquistanês decretou a pena capital, mas a sentença só foi confirmada quatro anos depois pelo Supremo Tribunal de Lahore, capital da província de Punjab, onde ocorreu o incidente.

Em 2011, o ex-governador de Punjab Salman Taseer, que defendia publicamente a causa de Asia Bibi, foi morto a tiro por um dos guarda-costas, Mumtaz Qadri, executado anos depois.

O caso de Asia Bibi teve impacto internacional e chegou a atrair a atenção dos papas Bento XVI e Francisco.

A dura lei anti blasfémia paquistanesa foi estabelecida durante a época colonial britânica para evitar lutas religiosas, mas na década de 80 do século XX várias reformas do então ditador Mohamed Zia-ul-Haq favoreceram abusos.

Desde essa altura, foram registadas mais de mil acusações por blasfémia, um crime que pode levar à morte por apedrejamento, embora essa pena nunca tenha sido aplicada.