Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Primeiro-ministro do Canadá admite cancelar contrato de venda de armas à Arábia Saudita

CHRIS WATTIE / Reuters

Posição ainda mais forte assumiu o Governo alemão de Angela Merkel, que anunciou que o seu país irá deixar de exportar armas para a Arábia Saudita face às dúvidas que persistem em torno da morte de Khashoggi

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, admitiu que poderá vir a cancelar um contrato de milhões de euros de venda de armas a Riade por causa da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

Em entrevista no domingo ao programa de televisão francês “Tout Le Monde en Parle”, Trudeau garantiu que o Canadá “irá sempre defender os direitos humanos, incluindo na sua relação com a Arábia Saudita”. O contrato, no valor de 15 mil milhões de dólares canadianos (9,9 milhões de euros) para a venda de veículos blindados à Arábia Saudita, está dependente de “cláusulas que devem ser seguidas em relação ao uso do que lhes é vendido”, afirmou o primeiro-ministro canadiano, garantindo que se as cláusulas não forem cumpridas, o contrato será “definitivamente cancelado”.

No sábado, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, disse que as explicações de Riade para a morte do jornalista saudita não era credíveis e apelou a uma investigação completa.

Já no ano passado, o Governo canadiano mostrou-se preocupado com a possibilidade de estes veículos estarem a ser usados em operações policiais no leste da Arábia Saudita. A relação entre Canadá e Arábia Saudita não tem sido, de facto, fácil, sobretudo nos últimos meses. Depois de o Canadá ter criticado a detenção, por Riade, de ativistas dos direitos humanos, o reino saudita expulsou do país o embaixador canadiano e as relações comerciais entre os dois países, assim como os novos investimentos, sofreram um forte revés.

Posição ainda mais forte assumiu o Governo alemão de Angela Merkel, que anunciou também no domingo que o seu país iria deixar de exportar armas para a Arábia Saudita face às dúvidas que persistem em torno da morte de Khashoggi. Em declarações aos jornalistas, à saída de um encontro do seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), Merkel disse concordar “com todos aqueles que dizem que as exportações não podem interferir na situação” atual, “mesmo que as vendas sejam já limitadas. Para Merkel, “há ainda coisas que devem ser urgentemente esclarecidas”. De acordo com a Agência France Press, a Alemanha autorizou este ano 416,4 milhões de euros em exportações de armas para a Arábia Saudita.

Jamal Khashoggi, que se exilou nos EUA no ano passado e escrevia regularmente para o “Washington Post”, desapareceu a 2 de outubro, depois de entrar no consulado saudita na Turquia para obter um documento de que precisava para se casar com uma cidadã turca e não foi visto desde então. No sábado, Riade admitiu que o jornalista saudita foi assassinado no consulado, depois de uma luta. Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Adel al-Jubeir, disse não saber onde está o corpo e considerou a morte de Khashoggi “um erro monumental”.