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Maior ponte do mundo sobre o mar é inaugurada esta terça-feira

Vai ligar Hong Kong, Zhuhai e Macau e não estará acessível a todos os condutores mas apenas para aqueles a quem for concedida uma autorização especial e será sobretudo usada por autocarros privados e veículos fretados, estando proibida a circulação a qualquer tipo de transporte público. Apesar da extensão e facilidade de acessos que irá proporcionar, tem estado envolta em várias polémicas

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

É considerada a maior travessia do mundo sobre o mar, vai ligar Hong Kong, Zhuhai e Macau, e será inaugurada na terça-feira, mas só condutores com uma autorização especial poderão circular sobre esta ponte.

A ponte custou aos governos das três regiões cerca de 1,9 mil milhões de euros e a estrutura principal mede 29,6 quilómetros, com uma secção em ponta de 22,9 quilómetros e um túnel subaquático de 6,7 quilómetros que liga duas ilhas artificiais, tendo assim uma extensão total de 55 quilómetros.

Apesar da extensão, inovação e facilidade de acessos que irá proporcionar - a construção vai permitir ligar as três cidades em 45 minutos, algo que até agora demorava entre 60 a 70 minutos de ferry e entre três a quatro hora de carro - a ponte tem estado envolta em várias polémicas, a começar desde logo pelos danos causados durante a sua construção. Pelo menos sete trabalhadores morreram e outros 275 ficaram feridos, segundo números da “CNN” (outros jornais, como o espanhol “El País”, falam em 10 vítimas mortais e em mais de 600 feridos em 300 acidentes).

As autoridades de Hong Kong atribuíram as mortes à falta de mão de obra e no início deste ano um tribunal multou várias empresas subcontratadas. Outras empresas do género viram 21 dos seus funcionários serem detidos, acusados de falsificar as provas de resistência do betão usado na ponte em troca de subornos.

Mas há mais, nomeadamente em termos de problemas técnicos e de impacto ambiental, que também deram muito que falar. No início de abril, foram divulgadas fotografias que mostravam blocos de betão à volta de uma das ilhas artificiais, o que suscitou de imediato várias críticas sobre a qualidade da ponte. As autoridades, por sua vez, garantiram que os blocos tinham sido ali colocados de propósito, para aliviar a pressão sobre o túnel subaquático.

Outro aspecto que tem merecido muitas críticas é o facto de a ponte não ser transitável para todos os condutores mas apenas para aqueles a quem for concedida uma autorização especial, cujos critérios de atribuição não são ainda conhecidos. A ponte será sobretudo usada por autocarros privados e veículos fretados, estando proibida a circulação a qualquer tipo de transporte público. Em Hong Kong, por exemplo, os residentes consideram que se trata de um mau uso dos impostos pagos pelos contribuintes. Organizações ligadas à preservação das espécies marinhas culparam a construção pela diminuição de uma espécie específica de golfinhos que tinha naqueles mares o seu habitat.

“É um projeto meramente político que vem suprir uma necessidade que nem sequer é urgente”, afirmou Eddie Chu, político, ativista e membro de uma organização ambiental de Hong Kong, citado pelo “Guardian”, lembrando o anúncio do Governo a respeito da construção de uma outra ponte em 2023. “Tudo isto é redundante”, afirmou o ativista.

Em parte, é também essa a opinião de Mee Jam Ng, professora no departamento de Geografia na Universidade Chinesa de Hong Kong. Citada igualmente pelo jornal britânico, afirmou: “Não acho que ninguém esteja particularmente entusiasmado com a ideia. O projeto tem-se arrastado ao longo de tantos anos… Além disso, os custos são enormes. Já existem outras formas de chegar ao lado oeste do Delta do Rio de Pérolas.”

O projeto de construção da ponte começou a ser desenhado em 1983 por um empresário de Hong Kong, Gordon Wu, mas durante vários anos foi encarado como demasiado megalómano e de difícil ou mesmo impossível concretização. No entanto, vários anos depois, recebeu o aval do Governo Central de Pequim e começou então a ser construída, já em 2009.

É inaugurada dez anos depois, sendo considerada um marco do projeto de integração regional da Grande Baía, que prevê a criação de uma metrópole mundial a partir dos territórios de Hong Kong, Macau e nove localidades da província chinesa de Guangdong - Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing. Segundo os media locais, o Presidente chinês, Xi Jinping, estará presente na cerimónia de abertura oficial da ponte ao público.