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Internacional

Bruxas lançam feitiço a Brett Kavanaugh

MICHAEL REYNOLDS

Numa das suas primeiras audiências no Supremo Tribunal, o polémico juiz nomeado por Trump já se afirmou como radical em matéria de imigração

Luís M. Faria

Jornalista

Um grupo de bruxas lançou um feitiço ao juiz Brett Kavanaugh durante uma cerimónia numa livraria em Brooklyn (Nova Iorque). O objetivo é expressamente "expô-lo pelo que ele realmente é, fazer-lhe mal e vê-lo destruído", segundo explicou uma das organizadoras.

Kavanaugh tomou recentemente posse como juiz do Supremo Tribunal dos EUA na sequência de um polémico processo em que teve de enfrentar acusações de abuso sexual relativas a eventos de há décadas. Numa altura em que o movimento #MeToo já pôs fim às carreiras de dezenas de homens proeminentes, o facto de ele ter conseguido ser confirmado pelo Senado foi considerado um insulto por muitas mulheres.

O feitiço agora realizado teve lugar na Catland Books, que se autodescreve "boutique metafísica", e dezenas de pessoas estiveram presentes. O grupo responsável disse que os efeitos não têm prazo fixo para se concretizar, mas garantiu que outros feitiços anteriormente lançados, contra o presidente Donald Trump, já produziram efeitos - a investigação sobre as ligações da sua campanha à Rússia e as denúncias da atriz porno com quem ele terá dormido, por exemplo.

Indignado, um padre californiano prometeu dizer orações para contrariar o feitiço e falou dele como uma invocação do diabo. "Isto é conjurar o mal, não tem a ver com liberdade de expressão".

“Quando forem libertados” pode ser 50 anos depois?

Entretanto, esta semana, soube-se que, numa das suas primeiras audiências como juiz do Supremo, Kavanaugh defendeu a posição de que emigrantes acusados de crimes devem ser automaticamente deportados quando forem libertados. Estavam em causa situações de crimes menores e em que os condenados cumpriram a pena há muitos anos e refizeram as suas vidas. O advogado do governo defendeu a posição de que mesmo nesses casos a deportação tinha de ocorrer.

O juiz Stephen Breyer, secundado por Neil Gorsuch (a primeira nomeação de Trump para o tribunal), perguntou-lhe se ele achava que um imigrante que roubou uns bilhetes de autocarro há 50 anos devia ser automaticamente deportado agora, enquanto um americano que tivesse assassinado três pessoas com um machado tinha sempre direito a uma audiência num tribunal. A gravidade do crime e o tempo que já passou não contam para nada?

O advogado do governo confirmou essa posição, e Kavanaugh concordou com ele, dizendo que a palavra "quando" não implicava nenhum limite temporal. Quando a representante da ACLU, uma organização de direitos humanos, disse que a palavra devia ser interpretada conforme o senso comum - ou seja, "dentro de um prazo razoável" - Kavanaugh manteve-se intransigente.

Foi ao ponto de notar que a tendência legislativa na altura em que foi elaborada a lei em causa era para restringir ao máximo a imigração. Um argumento curioso, tendo em conta que Kavanaugh defende uma interpretação estrita e literal das leis, independentemente de quaisquer presunções sobre a eventual intenção de quem as fez...