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Jornalista Jamal Khashoggi pode ter gravado imagens da sua tortura e morte no relógio Apple

Ativistas e amigos do jornalista exigem novidades

Murad Sezer / Reuters

Poderá haver imagens do interrogatório, tortura e assassínio do jornalista saudita que desapareceu no consulado do seu país em Istambul no dia 2 de outubro. Versões contraditórias deixam clara a tensão diplomática entre a Turquia e a Arábia Saudita. E que o mistério tarda a dissipar-se

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O relógio Apple de Jamal Khashoggi pode conter imagens gravadas da sua morte, anuncia este sábado o jornal turco “Daily Sabah”, citado pela CNN.
Khashoggi terá ligado a função de gravação do seu relógio antes de entrar no consulado saudita em Istambul no dia 2 de outubro, de onde nunca saiu.

É por isso que o som dos momentos do “interrogatório, tortura e assassínio estão gravados no iPhone e na Cloud”, escreve o “Daily Sabah”, um jornal pró-governamental que é propriedade de um grupo privado.

As forças de segurança que estão a liderar a investigação ao caso encontraram um ficheiro audio no telemóvel que Jamal Khashoggi, 59 anos, deixou em posse da noiva, reporta o “Daily Sabah”. Os captores do jornalista terão tentado desbloquear o relógio Apple com várias tentativas de códigos tendo acabado por usar a impressão digital de Khashoggi, logrando assim apagar alguns dos ficheiros.

A CNN consultou o analista de informação e segurança Robert Baer para indagar desta possibilidade, uma vez que o relógio Apple não inclui acesso por impressão digital. Além disso, não é certo que Jamal Khashoggi tivesse conseguido transferir um ficheiro de som para o seu smartphone e, na hipótese de uso de tecnologia Bluetooth, a distância era demasiado grande. Baer responde à CNN que “os turcos devem ter o consulado saudita sob escuta”. E que será muito difícil que as autoridades turcas venham a admitir esta possibilidade.

Turcos exigem, sauditas negam

As autoridades sauditas continuam a negar qualquer envolvimento no desaparecimento do correspondente do “Washington Post” auto exilado nos Estados Unidos desde setembro de 2017. E a sua noiva, a turca Hatice Cengiz, que ficou no exterior do consulado de Istambul, continua a sustentar não ter voltado a ver o noivo.

A tensão diplomática entre a Turquia e a Arábia Saudita tem escalado desde então. As autoridades turcas, que acreditam que Jamal Khashoggi tenha sido eliminado pelos sauditas, continuam a pedir-lhes que apresentem imagens CCTV que provem que Jamal Khashoggi abandonou o consulado assim como existem as que provam que entrou.

O “Daily Sabah” anunciava nesta sexta-feira a chegada de uma delegação saudita Ancara para conversações sobre o desaparecimento do jornalista. A equipa saudita deverá encontrar-se com os homólogos turcos durante o fim de semana, anunciou a agência oficial turca Anadolu.

O jornal turco citava naquela notícia as notícias publicadas no “Washington Post” sobre a existência daquelas gravações que teriam sido feitas dentro do edifício do consulado, adiantando que o caso se arrisca “a lesar não só as relações entre a Turquia e a Arábia Saudita como tabém a prejudicar a imagem do reino e as suas ligações ao mundo ocidental” numa altura em que o príncipe Mohammed bin Salman promove uma reforma interna.

Num raro comentário público sobre o caso por parte de autoridades sauditas, o seu embaixador no Reino Unido, o príncipe Mohammed bin Nawaf al Saud, declarou à BBC que Riade está “preocupada” com o seu cidadão.