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Turquia e Arábia Saudita formam “grupo de trabalho” conjunto para investigar caso de jornalista desaparecido

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, num encontro em 2017

Kayhan Ozer/Anadolu Agency/Getty Images

Jamal Khashoggi entrou no consulado saudita em Istambul na terça-feira da semana passada e nunca mais foi visto. As autoridades turcas dizem que o jornalista foi morto, os sauditas negam. O Presidente dos EUA está a ser pressionado por congressistas para suspender a venda de armas ao reino saudita mas Trump deixou claro que não o fará

O gabinete presidencial turco anunciou esta quinta-feira que Recep Tayyip Erdogan concordou em formar um “grupo de trabalho” conjunto com a Arábia Saudita para investigar o caso de Jamal Khashoggi, o jornalista dissidente que desapareceu depois de visitar o consulado saudita em Istambul na semana passada.

O caso fez escalar as tensões entre o Presidente da Turquia e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman. As autoridades turcas disseram entretanto que tinham gravações áudio e imagens de vídeo que mostram que agentes sauditas mataram Khashoggi no interior do consulado. Os sauditas negam conhecer o seu paradeiro.

Segundo o jornal “The Washington Post”, onde Khashoggi era colunista, os EUA foram informados pela Turquia sobre a existência desse material áudio e vídeo. Os congressistas republicanos têm pressionado a Administração no sentido de se fazer uma investigação ao possível assassínio do jornalista.

O senador republicano Rand Paul escreveu no Twitter que “os sauditas vão continuar a matar civis e jornalistas desde que continuemos a armá-los e a ajudá-los”. “O Presidente deve suspender imediatamente as vendas de armas e o apoio militar à Arábia Saudita”, acrescentou.

Mas, de imediato, Donald Trump deixou claro que não o iria fazer. “Que bem é que isso nos faz? Eu não seria a favor de impedir um país de gastar 110 mil milhões de dólares – o que é um recorde de todos os tempos – e deixar a Rússia e a China terem esse dinheiro”, disse, referindo-se a um acordo de venda de armas aos sauditas, assinado no ano passado, e que, segundo Trump, levará à criação de novos empregos nos EUA.

Horas antes, em entrevista ao programa de televisão “Fox & Friends”, o Presidente disse que ele e a sua Administração estão a “olhar para [o caso] muito, muito seriamente” e que esperam mais informações em breve. “Queremos descobrir o que aconteceu. Ele [Khashoggi] entrou e não parece ter saído. Não gostamos disso. Eu não gosto disso. Isso não é bom”, afirmou, sublinhando, contudo, que as relações com o reino saudita são “excelentes”.

Jamal Khashoggi, autoexilado e crítico do regime do seu país, entrou no consulado saudita em Istambul na terça-feira da semana passada e nunca mais foi visto. A Turquia diz que o jornalista foi morto mas a Arábia Saudita nega as alegações. Khashoggi fugiu da Arábia Saudita no ano passado por achar que seria o nome seguinte na lista de alvos a silenciar. Nessa altura, o regime apertou a vigilância sobre intelectuais, ativistas e jornalistas que, como ele, criticavam algumas decisões do príncipe herdeiro.

  • “Ele nunca iria mentir. Por isso é que o mataram”: o mistério do jornalista saudita desaparecido

    O que aconteceu a Jamal, o jornalista saudita que nunca mais foi visto depois de entrar no consulado do seu país em Istambul, há uma semana? Os sauditas dizem que nada sabem, os turcos acusam-nos de o terem morto, as manifestações à porta de embaixadas sauditas por todo o mundo exigindo saber o que lhe aconteceu multiplicam-se e esta quarta-feira o mistério adensou-se, por causa de uma misteriosa carrinha preta. Poderão os Estados Unidos pressionar para a descoberta do que se passou, usando a aliança de décadas com Riade? “Não se espere qualquer intervenção dos EUA”, disse ao Expresso um académico