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Tancos. A pressão do PSD e do CDS sobre Azeredo Lopes em algumas frases marcantes

Relatório do Ministério da Defesa sobre o furto de armas destaca falhas de segurança nos paióis desde o final dos anos 90

Nuno Botelho

Azeredo Lopes já estava sob pressão, mas depois de terem surgido suspeitas de que o ministro da Defesa, que esta sexta-feira se demitiu, poderia ter tido conhecimento do esquema montado para recuperar as armas de Tancos, a oposição caiu em peso sobre o ministro. Houve até quem o considerasse “moribundo”

O caso do roubo das armas dos paióis de Tancos já estava quase esquecido quando um outro caso, ligado a este, começou a chegar às páginas dos jornais. O armamento roubado em junho de 2017 apareceu, três meses depois, num baldio na zona da Chamusca, em Santarém. Ninguém ficou ferido, nem ocorreu qualquer atentado com armas do Exército português. Mas o alívio foi de curta duração porque depressa surgiram outras questões relevantes: porquê, como, onde e através de que informação conseguiu a Polícia Judiciária Militar chegar às armas?

Quando o Expresso noticiou que o ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar, major Vasco Brazão, assegurou ao juiz de instrução ter dado conhecimento a Azeredo Lopes da encenação montada na Chamusca, os partidos da oposição começaram a disparar contra o governo - e, em particular, contra Azeredo Lopes. O PCP e o BE, os parceiros do governo, foram menos duros, mas o CDS, por exemplo, chegou a dizer que o que estava em causa era “o bom nome de Portugal”.

Antes ainda de o ministro da Defesa se ter demitido, Rui Rio, líder do PSD, afirmou saber o que faria caso estivesse no lugar de António Costa: “A não ser que seja tudo redondamente mentira e provado que é redondamente mentira, não vejo como é que, nestas condições, um primeiro-ministro pode manter o ministro em funções”, disse à Lusa a 4 de Outubro.

Na mesma entrevista, o líder do PSD, disse ainda que lhe custava “acreditar que o comandante do Estado Maior do Exército não tenha conhecimento de nada”. E mesmo que não soubesse, isso também seria grave, na opinião de Rio. “Se os dois [o major e o CEME] sabiam, disseram ao chefe de gabinete do ministro e ele não contou ao ministro, é igualmente grave porque o chefe de gabinete é escolha pessoal do ministro, da sua responsabilidade”.

No último debate quinzenal, a 10 de outubro, o líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, acusou o primeiro-ministro de banalizar o caso de Tancos. “Está a desvalorizar e a banalizar este problema que é grave demais. Estão em causa as Forças Armadas. O que fez a hierarquia militar e a tutela política para evitar que as armas andem ao deus-dará?”, perguntou no parlamento.

Na quinta-feira, o antigo ministro da Defesa e atual deputado do PSD, José Pedro Aguiar Branco, foi também duro para Azeredo Lopes, comparando o seu “estado moribundo” com o da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, após os incêndios de Pedrógão Grande.

A 12 de setembro, ainda antes de serem conhecidas as suspeitas que acabaram por provocar a demissão do ministro, o deputado social-democrata Bruno Vitorino questionou diretamente Azeredo Lopes sobre as versões tornadas públicas acerca do material recuperado perguntando-lhe: “O senhor ministro mentiu aos portugueses ou mentiram-lhe a si?”.

Na mesma altura, o CDS expressou, através da intervenção de João Rebelo, mostrou preocupação com a falta de informação sobre o caso. "Continuamos sem perceber se é o Governo que não sabe - e devia saber - porque a hierarquia militar não sabe o que se passou efetivamente em Tancos ou se o Governo não sabe - e devia saber - porque a hierarquia militar esconde informação ao Governo sobre o que se passou efetivamente em Tancos", afirmou João Rebelo.

Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS, após a conferência de líderes que agendou o debate para 24 de outubro, justificou o pedido de inquérito com “o dever” de o parlamento apurar “as responsabilidades políticas”. “Cada dia que passa, menos percebemos. Menos percebemos o que o Governo fez, o que o Governo não fez, o que o Governo disse e, pelos vistos, não corresponde à verdade”, afirmou na altura acrescentando que este caso “pôs em causa o prestígio internacional” de Portugal.

Quanto a Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, a única coisa que disse depois de conhecidas as suspeitas de que Azeredo Lopes pudesse ter sido informado do esquema de recuperação das armas, foi que “o ministro da Defesa ganhava em prestar esclarecimentos no Parlamento".