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Provável assassínio de jornalista leva Richard Branson a suspender relações com a Arábia Saudita

James D. Morgan/Getty

O fundador de Virgin acha que, se se confirmarem as suspeitas sinistras que têm sido aventadas na Turquia, não há qualquer possibilidade de “business-as-usual” com as autoridades em Riade

Luís M. Faria

Jornalista

O empresário Richard Branson suspendeu os projetos que tinha em curso na Arábia Saudita por causa do provável assassínio de Jamal Khashoggi. "O que aconteceu na Turquia em torno do desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, se se mostrar verdade, mudará claramente a possibilidade de qualquer de nós no Ocidente ter negócios com o governo saudita", escreveu o fundador da Virgin no seu blog.

Khashoggi, um crítico frequente do governo do seu país, vivia exilado nos Estados Unidos e escrevia para o Washington Post. No princípio deste mês foi ao consulado saudita em Istambul obter documentos de que precisava para tornar a casar e nunca mais foi visto. Informações saídas na imprensa turca dão conta de que terá sido torturado, morto e desmembrado por uma equipa de 15 pessoas que aterrou em Istambul horas antes num jato privado saudita e partiu à tarde.

"Eu depositava altas esperanças no atual governo do Reino da Arábia Saudita e no seu líder o príncipe-herdeiro Mohamad Bin Salman", escreve Branson. "Foi por isso que tive prazer em aceitar dois cargos de diretor em projetos de turismo no Mar Vermelho. Achei que podia fornecer aconselhamento prático de desenvolvimento e também ajudar a proteger o precioso ambiente em torno da costa e das ilhas".

Se se confirmarem as piores suspeitas (o consulado garante que Khashoggi partiu pelo seu próprio pé mas não tem quaisquer imagens disso, e a noiva dele, que o esperava lá fora, não o viu sair), outros empresários também poderão ter de repensar o seu envolvimento com a Arábia Saudita. Ou não. Abordados pelo diário britânico The Guardian para comentar, vários deles - incluindo alguns que se preparam para comparecer numa cimeira económica em Riade - mantiveram-se em silêncio.

Pela sua parte, e apesar da indignação expressa em relação ao assunto por congressistas republicanos que lhe são próximos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que não suspenderá as vendas de armas à Arábia Saudita. Motivo: se o fizer, a China e a Rússia terão condições e todo o gosto em fornecer as armas.