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Internacional

Presidente da Coreia do Sul otimista com fim do estado de guerra na península coreana

Pyeongyang Press Corps/Getty Images

A guerra terminou em 1953 com um armistício mas nunca foi assinado um tratado de paz. Em entrevista à BBC, Moon Jae-in reconheceu que ainda poderá haver mais avanços e recuos na tentativa de convencer o líder norte-coreano a suspender o seu programa nuclear. E pediu aos líderes europeus para ajudarem no papel de mediação entre Kim e Trump

O Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, acredita que é apenas uma questão de tempo até os EUA e a Coreia do Norte declararem o fim do estado de guerra na península coreana. Em entrevista divulgada esta sexta-feira pela BBC, Moon exorta os líderes europeus a ajudarem no papel de mediação entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, se as negociações estagnarem.

A guerra na península terminou em 1953 com um armistício mas nunca foi assinado um tratado de paz. Filho de refugiados norte-coreanos, Moon reconheceu que ainda poderá haver mais avanços e recuos diplomáticos na tentativa de convencer Kim a suspender o seu programa nuclear. Contudo, descreveu o seu homólogo do norte como uma pessoa “franca”.

O chefe de Estado sul-coreano revelou ainda que manteve “discussões amplas” com Trump sobre o fim da declaração de guerra. “Se a Coreia do Norte tomar medidas, o fim da declaração de guerra será uma declaração política que anunciará o fim das relações hostis de longa data entre Pyongyang e Washington”, disse, afirmando esperar que tal aconteça na “data mais próxima possível”.

Moon aponta para “mudanças que estão a acontecer na Coreia do Norte neste momento”

No mês passado, Moon tornou-se o primeiro líder sul-coreano a fazer um discurso perante um público norte-coreano durante uma viagem a Pyongyang. Falou para 150 mil pessoas e recebeu uma ovação de pé. “Na verdade, estava muito nervoso com o discurso. Tinha de falar do problema da desnuclearização e tinha de receber vibrações positivas do povo norte-coreano. E também tinha de agradar ao público norte-coreano, assim como ao público global. Por isso, não foi uma tarefa fácil para mim”, confessou.

Moon garantiu que Kim não impôs quaisquer restrições ao discurso. “Ele nem quis saber o que eu ia dizer antes do discurso. Acredito que isso demonstra as mudanças que estão a acontecer na Coreia do Norte neste momento”, disse.

Os líderes das duas Coreias encontraram-se três vezes este ano, tendo Moon atuado como mediador entre Kim e Trump.

“Podemos ver agora um caminho para o nosso objetivo final”, diz Pompeo

No domingo, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, visitou a Coreia do Norte pela quarta vez e falou com Kim. “Embora ainda haja um longo caminho a percorrer e muito trabalho a fazer, podemos ver agora um caminho para alcançarmos o nosso objetivo final, que é a completa, final e comprovada desnuclearização da Coreia do Norte”, disse na terça-feira na Casa Branca. E revelou que os inspetores internacionais poderiam deslocar-se em breve a dois centros nucleares norte-coreanos.

Depois do encontro histórico de junho em Singapura, Kim e Trump vão encontrar-se pela segunda vez depois das eleições para o Congresso americano, agendadas para 6 de novembro, anunciou o Presidente dos EUA no início desta semana.