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Pastor americano detido na Turquia há mais de dois anos poderá ser libertado esta sexta-feira

Andrew Brunson, o pastor americano preso na Turquia

STRINGER/AFP/Getty Images

Um acordo poderá ter sido alcançado para a libertação de Andrew Brunson, que foi preso por alegadas ligações a grupos políticos na sequência da fracassada tentativa de golpe de Estado na Turquia em 2016. O vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, não confirma a existência de tal acordo, afirmando-se, ainda assim, “esperançado”

O pastor americano Andrew Brunson, detido há mais de dois anos na Turquia, poderá ser libertado esta sexta-feira. Citando fontes anónimas, o jornal “The Washington Post” e o canal de televisão NBC News revelaram que um acordo foi alcançado entre os EUA e a Turquia para a libertação de Brunson.

Contudo, em declarações aos jornalistas, o vice-Presidente norte-americano, Mike Pence, não confirmou a existência de tal acordo, afirmando-se, ainda assim, “esperançado”. “Continuamos esperançados de que, com o processo do tribunal de amanhã [hoje], a Turquia verá o caminho certo e libertará este bom homem que não é culpado de nada e que está injustamente preso”.

Brunson foi preso por alegadas ligações a grupos políticos na sequência da fracassada tentativa de golpe de Estado na Turquia em 2016. O pastor, que se encontra em prisão domiciliária desde que foi transferido da sua cela em julho, nega as acusações de terrorismo e espionagem. Caso seja considerado culpado, poderá passar até 35 anos atrás das grades.

“Se eles têm dólares, nós temos o nosso deus”

No início de agosto, Washington impôs sanções sem precedentes contra dois ministros turcos, exigindo a libertação de Brunson. Ancara reagiu às sanções e começou uma escalada da tensão entre os dois países, que acabou por provocar a queda de 40% da lira turca. Depois de alguns dias de acalmia, a lira turca voltaria a desvalorizar após Washington ameaçar impor novas sanções.

No dia em que foi reeleito dirigente máximo do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), também em agosto, o Presidente turco reiterou que o país não iria ceder perante os EUA. A crise diplomática entre os dois países, aliados no seio da NATO, estava no auge.

“Não vamos ceder àqueles que se apresentam como nossos parceiros estratégicos, já que se esforçam por nos tornar um alvo estratégico”, afirmou então Erdogan durante o congresso do seu partido, o islâmico conservador AKP.

Alguns “ameaçam-nos pela economia, investimentos, divisas, inflação. A estes dizemos que vamos ver como jogam e fazer-lhes frente”, declarou Erdogan, acrescentando: “Se eles têm dólares, nós temos o nosso deus e avançaremos no nosso caminho com passos firmes.”